Menos da metade da população de rua das maiores cidades do país têm título de eleitor

População de rua no Brasil aumentou durante a pandemia de covid-19. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
População de rua no Brasil aumentou durante a pandemia de covid-19. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
  • Pessoas em situação de rua aptas a votar são menos de 50% em São Paulo, Rio e Distrito Federal

  • Capital com maior população de rua é São Paulo

  • Na capital paulista, 45,7% tem título

Menos da metade da população de rua de cada uma das três maiores metrópoles brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal - possui título de eleitor.

Em São Paulo, onde, segundo o Censo municipal de 2021, cerca de 31.884 pessoas estão em situação de rua. Destas, segundo o levantamento da prefeitura, só 45,7% têm título de eleitor.

No Distrito Federal, de acordo com o levantamento feito pela Companhia de Planejamento (Codeplan), junto com a Secretaria de Desenvolvimento Social, e divulgado em junho deste ano, 43,7% das 2.938 pessoas nas ruas da capital federal poderão votar em outubro.

Por fim, no Rio de Janeiro, onde há cerca de 7.272, segundo levantamento do fim de 2020, só 36,8% dos 4.238 entrevistados afirmaram que têm o título. Outros 44,5% disseram que já tiveram o documento em algum momento da vida.

A metodologia utilizada pelas três pesquisas foi parecida. As pesquisas foram realizadas nas três cidades pelo poder público em parceria com o Instituto Qualitest.

Aumento da população de rua na pandemia

O número de pessoas em situação de rua cresceu no Brasil durante a pandemia. O pesquisador Marcelo Pedra, do Núcleo de Pesquisa Pop Rua, da Fiocruz Brasília, ouvido pelo portal Extra, 30% da população de rua das três capitais - São Paulo, Rio e DF - foi para as ruas durante a pandemia de covid.

Entre 2009 e 2021, o número de pessoas em situação de rua aumentou 31% - foi de 24.344 para 31.884, segundo o Censo da População em Situação de Rua, encomendado pela Prefeitura de São Paulo e divulgado em janeiro. Junto, cresceu o número de moradias improvisadas: saltou 230%.

Com a pandemia de covid-19, mudou também o perfil das pessoas nas ruas da capital paulista. Antes, a maioria eram homens solteiros. Hoje, aumentou o número de famílias vivendo juntas na rua, grande parte despejadas de suas casas em meio à crise econômica. Segundo dados do censo, em 2019 eram 4.868 pessoas. Em 2021, chegou a 8.927 pessoas, quase o dobro.

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