Mensagem de Dia das Mães testou ponte de Michelle Bolsonaro com eleitorado feminino

Brazil's President Jair Bolsonaro reacts next to his wife Michelle Bolsonaro during a ceremony at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil May 4, 2022.REUTERS/Adriano Machado
Michelle Bolsonaro durante evento com o marido no Palácio do Planalto.Foto: Adriano Machado/Reuters

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no fim de março, Jair Bolsonaro aparecia com ampla desvantagem em relação ao rival Luiz Inácio Lula da Silva entre o eleitorado feminino. Em um dos cenários apurados, o petista teria 46% dos votos, contra 21% do atual presidente.

Entre os homens, a margem é reduzida: 40% a 31% em favor do ex-presidente.

Na campanha de 2018, a rejeição de Bolsonaro entre as mulheres chegou a 52% no Datafolha. Hoje ela é de 60%, segundo o mesmo instituto.

Para reverter a aversão, o estafe do presidente identificou na primeira-dama, Michelle Bolsonaro, uma ponte com o eleitorado feminino.

Desde então ela tem ampliado sua agenda em eventos políticos, ao lado ou não do ex-capitão.

Michelle virou notícia, na semana passada, ao derramar algumas lágrimas de crocodilo durante um culto da bancada evangélica no Congresso. Ela chorou ao pedir a Deus que curasse o país governado pelo marido.

A primeira-dama deve ser figura onipresente na propaganda eleitoral do candidato à reeleição –antes e depois do início oficial da campanha.

Prova disso foi o pronunciamento em rede nacional no Dia das Mães. Embora contasse com a presença da ministra das Mulheres, Cristiane Britto, que no vídeo mal esboçou expressão, foi Michelle Bolsonaro, que não tem cargo no governo, a responsável por listar os feitos da administração federal em prol das mulheres –como a prioridade, para mães, na fila do Auxílio Brasil, como já funcionava, aliás, nos tempos do Bolsa Família.

A mensagem, com cara, cor e jeito de campanha antecipada, mostrou que Bolsonaro vai apostar alto em sua ponte com o eleitorado feminino.

A aposta é de alto risco, já que Michelle periga pregar apenas, e literalmente, para convertidos – os grupos ultraconservadores que já votam no atual presidente.

Bolsonaro talvez tivesse uma ponte mais sólida a apresentar se seu governo, seu entorno e suas referências tivessem mais espaço para participação feminina.

Por enquanto o que o pronunciamento rendeu foi um pedido, apresentado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), para que a Procuradoria Geral da República investigue a primeira-dama e a ministra das Mulheres por improbidade administrativa e propaganda antecipada. O parlamentar afirma que não existe razão jurídica para que Michelle tivesse protagonismo na mensagem de Dia das Mães.

Tão provável quanto a possibilidade de Michelle sair de cena é a possibilidade de o procurador-geral, Augusto Aras, tomar alguma atitude que desagrade ao presidente responsável por sua indicação fora da lista tríplice.