Mensagem mostra insinuação de ginecologista preso a paciente: "Posso testar"

·2 minuto de leitura
O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais foi preso suspeito de abusar sexualmente de ao menos três pacientes em Anápolis (GO)
O ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais foi preso suspeito de abusar sexualmente de ao menos três pacientes em Anápolis (GO)
  • Um ginecologista se insinuou a uma paciente que fazia perguntas sobre um método contraceptivo

  • Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, foi preso na última quarta-feira (29) em Goiás

  • Segundo a polícia, 41 mulheres já formalizaram denúncia contra o médico

Suspeito de abusar sexualmente de ao menos três pacientes em Anápolis (GO), o ginecologista Nicodemos Júnior Estanislau Morais, de 41 anos, se insinuou com comentários de cunho sexual a uma mulher que fazia perguntas sobre um método contraceptivo, segundo a Polícia Civil. Ele foi preso na última quarta-feira (29).

Na conversa, divulgada pelo portal G1, a paciente pediu informações sobre o uso do anel vaginal, um método contraceptivo. Em um momento, ela perguntou se ele não atrapalha a relação sexual e se o parceiro não o sentiria. Ele respondeu: "Bom, minha namorada já usou e eu não percebi diferença alguma. Posso testar kkk. Brincadeira".

Leia também:

A paciente encerrou a conversa, que aconteceu em julho de 2020. Segundo a Polícia Civil, a insinuação foi feita após uma consulta, quando houve uma violação sexual mediante fraude. De acordo com o portal G1, 41 mulheres já formalizaram denúncia contra o ginecologista.

Uma força-tarefa apenas com policiais femininas foi criada para ouvir todas as vítimas. A corporação recebeu ligações de mulheres fora de Anápolis: Pirenópolis, Goiânia, Abadiânia e até do Pará. "Até o momento temos ideia de umas 52 ou 54, mas creio que nós podemos chegar até umas 100 vítimas", disse ao portal G1 a delegada Isabella Joy.

A delegada afirmou que há relatos de mulheres abusadas, inclusive, quando adolescentes: "Temos diversos relatos de vítimas que ele tentou agarrar, beijar, fez que tocassem nos órgãos genitais dele, vítimas que ele abusou durante o parto, que sofreram depressão pós-parto por causa dele".

O médico foi preso em seu consultório, após a denúncia de três pacientes. Ele é investigado por importunação sexual, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. O caso está em segredo de Justiça. A defesa nega que ele teve conduta que esteja fora do exercício da medicina.

"Tenho plena convicção que a gente vai ter sucesso na liberdade do doutor Nicodemos. A defesa não teve acesso a nenhum depoimento desses novos fatos. O doutor Nicodemos prestou depoimento na delegacia somente com relação às supostas três vítimas, então a defesa aguarda a notificação para tomar as medidas necessárias", disse ao portal G1 o advogado Carlos Eduardo Gonçalves Martins.

Segundo a polícia, o ginecologista já foi condenado por crime sexual no Distrito Federal, em 2019. Como era réu primário, não foi preso. Ele também foi denunciado no Paraná, mas o caso foi arquivado em 2018. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou, por meio de nota ao G1, que "vai apurar o caso e a conduta do médico no exercício profissional".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos