Mente sã, convocação: Como ajuda psicológica levou Everton Ribeiro à Copa do Mundo

Everton Ribeiro se viu em situação difícil no começo de 2022. Precisando jogar bem para seguir com chances de ser convocado por Tite para a Copa do Mundo do Catar, caiu de produção com o restante da equipe do Flamengo treinada por Paulo Sousa. Para o meia, especificamente, o período foi pior: passou a ser escalado de forma diferente daquela que o consagrou, experimentando até mesmo partidas no banco de reservas.

Os efeitos daquele momento precisavam ser combatidos e o jogador foi atrás de acompanhamento psicológico. A medida ainda é meio tabu no futebol, tanto que nem todas as comissões técnicas contam com profissionais da área à disposição dos atletas — dois exemplos são o próprio Flamengo e a seleção brasileira de Tite. Sem compartilhar dos preconceitos, Everton Ribeiro sentou-se no divã.

— Foi um período em que eu estava com muita dificuldade, então procurei uma psicóloga que me ajudou muito. Ela me colocou no caminho, ajudou a esquecer, colocar coisas de lado. Centrar no que eu precisava fazer. Isso (o apoio profissional) me mostrou o quanto o psicológico, estar com a cabeça boa, ajuda em entrar na direção certa — afirmou, no período com a seleção em setembro, quando teve a confirmação de que seguia nos planos da comissão técnica para o Mundial.

Era então o fim de um hiato preocupante. Tite havia deixado o jogador de 33 anos fora das convocações de março e junho. Sua ausência coincidia com o momento ruim no Flamengo e com a retomada de Philippe Coutinho na seleção brasileira. Os dois concorreram diretamente por uma vaga no Catar. No fim, a lesão do jogador do Aston Villa deixou o caminho livre para Everton Ribeiro jogar uma Copa, sonho até certo ponto de sua carreira pouco provável.

Ele chegará ao Mundial com status de reserva com poucas chances de atuar, ainda que tenham sido convocados apenas dois meias — além dele, Lucas Paquetá. Neymar será um criador na seleção e até mesmo Rodrygo agrada Tite na função. Caberá ao jogador provar que merecerá oportunidades na Copa.

Cuidados físicos ajudam

A chegada de Dorival Júnior ao Flamengo, em junho, fez com que Everton Ribeiro voltasse a atuar como meia, posição que o favorece e que o aproxima do que Tite procura na seleção brasileira. Com as condições em campo mais favoráveis e lidando melhor com as questões emocionais, ele deslanchou na temporada.

Os cuidados com a parte física seguiram e Everton Ribeiro chegou ao fim da temporada pelo Flamengo como o segundo jogador que mais acumulou minutos em campo, atrás de João Gomes, 12 anos mais novo.

É ainda, do quarteto ofensivo rubro-negro, quem mais tem obrigações defensivas — sua capacidade de recomposição é importante no que Tite vislumbra para a seleção, uma equipe com muitos jogadores criativos, mas que saibam dar o combate.

No Brasileirão, Everton Ribeiro foi o quarto jogador do time com mais desarmes, atrás apenas de João Gomes, Ayrton Lucas e Matheuzinho, de acordo com as estatísticas do site “Sofascore”.