'Mentiroso! Desavergonhado!', reage embaixador da China a declaração de alto funcionário dos EUA sobre 5G

Eliane Oliveira
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BRASÍLIA — O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, chamou de "mentiroso e desavergonhado" o subsecretário de Estado americano, Keith Krach. Em um discurso proferido nesta manhã em Brasília, Krach fez um apelo aos países aliados para que se unam para proteger dados e interesses de segurança nacional do "estado de vigilância do Partido Comunista Chinês e de outras entidades malignas".

"Cheio de mentiras! Desavergonhado! As mentiras já são a figura dos oficiais do departamento do estado do governo dos EUA, que agora com suas próprias ações está ensinando ao mundo inteiro qual é o modelo e a forma da 'democracia americana'", afirmou o embaixador.

Keith Krach está no Brasil desde o início desta semana. Conversou com empresários dos mais diversos setores e com autoridades brasileiras. Na terça-feira, convenceu o governo do Brasil a apoiar a chamada Rede Limpa (Clean Network), iniciativa do presidente Donald Trump para bloquear a participação da China no 5G.

Os EUA tentam convencer o maior número possível de países a banir a chinesa Huawei como fornecedora de equipamentos para a frequência 5G. O Brasil fará um leilão no ano que vem e, por isso, tem sido bastante assediado por Washington.

Em seu discurso, Krach deixou claro que a preocupação com a China é compartilhada por republicanos e democratas nos EUA. Ou seja, com a saída de Trump do governo, o presidente eleito, Joe Biden, eleito pelo Partido Democrata, não será flexível com Pequim.

Há cerca de um mês, o governo americano enviou ao Brasil o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Robert O'Brien. Ele veio reforçar a pressão dos EUA contra a participação dos chineses na frequência de 5G com o mesmo argumento: há risco de informações estratégicas serem repassadas com facilidade para Pequim pela Huawei.

Na época, a embaixada da China afirmou que os EUA têm analisado escutas cibernéticas e vigilância "há muito tempo", procedimento denominado pelos chineses de "rede suja" discriminatória, monopolista e de "abordagem criminosa". Segundo a embaixada, os EUA não querem que a Huawei participe das redes 5G pelo mundo porque os próprios americanos não poderiam mais acessar sistemas de terceiros.