Mercadinho São José tem reabertura prevista para 2021

·2 minuto de leitura

RIO - O Mercadinho São José, em Laranjeiras, que deixou saudades ao ser fechado em setembro de 2018, após o INSS, proprietário do imóvel, retomá-lo judicialmente, deve reabrir no ano que vem, conforme antecipou o jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Segundo a secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, o governo federal se comprometeu a transferir o casarão para o estado até o fim do ano. Quando o local for reaberto, os antigos boxistas serão convidados a reocupar o espaço.

— Eles vão ter a oportunidade de ajudar a Secretaria de Cultura a estabelecer um plano de gestão do Mercadinho, para que o local continue a ser um centro de cultura e gastronomia. A ideia é que as pessoas que o ocupem tenham responsabilidade sobre a manutenção dele. Isto vai ser discutido com os antigos boxistas, a Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras (Amal) e o estado — afirma a secretária.

Danielle antecipa que, após a cessão do imóvel do governo federal para o governo do estado, vai estabelecer uma parceria com a Secretaria estadual de Infraestrutura e Obras e com a empresa pública de obras do estado para revitalizar o Mercadinho São José e ocupá-lo:

— Durante as obras, vamos intensificar o diálogo com as pessoas que ocupavam o local para elas participarem do processo de revitalização — diz Danielle.

Em nota, o INSS afirma que o imóvel do Mercadinho São José “está em processo de transferência para a Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União (SCGPU) da Secretaria Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia”. Diz ainda que “tão logo a transferência da gestão dos imóveis seja concluída, as tratativas com o Estado do Rio serão conduzidas pela SCGPU”.

Antes do fechamento, em 2018, o Mercadinho São José abrigava sete bares, uma escola de música, um centro cultural, um ateliê de artes e um grupo de capoeira.

— O Mercadinho sempre foi um ponto cultural importantíssimo. Alugamos um piano de cauda para Tom Jobim fazer um show lá quando ele foi homenageado como cidadão benemérito do Rio — lembra Carlos Newton, diretor cultural do espaço.

O presidente da Amal, Marcos Seixas, afirma que a associação de moradores do bairro defende a existência de espaços para atividades culturais, que foram “a inspiração de sua criação”, junto com outras atividades sazonais que privilegiem alimentos orgânicos, feiras de artesanato e exposições. Mas faz uma ressalva:

— Os moradores do entorno não querem que a falta de tratamento acústico e de normas de segurança volte a acontecer.

Inicialmente, o imóvel, construído durante o Império, funcionou como senzala de uma fazenda localizada onde hoje fica o Parque Guinle. O espaço foi transformado em um mercado de hortifrutigranjeiros em 1942, por ordem do então presidente Getulio Vargas, para abastecer a população durante a Segunda Guerra. Abandonado durante duas décadas, foi revitalizado e transformado em centro cultural em 1989.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos