Mercado busca respostas de como a conta da pandemia será paga, diz presidente do BC

Os sinais de ansiedade emitidos pelos mercados financeiros, nas últimas semanas refletem, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a incerteza com a política fiscal do governo eleito e a preocupação dos agentes em saber como os países, incluindo o Brasil, vão pagar a conta das despesas feitas durante o período mais agudo da pandemia da Covid-19.

Por isso, os parâmetros fiscais ganham ainda mais importância e o novo governo brasileiro precisa estabelecer regras que tenham credibilidade e comunicá-las de forma clara.

— O mercado tenta encontrar as respostas de como a conta da pandemia será paga. Por enquanto, o que se vê, é que o governo pretende gastar mais e o mercado reage. Entendemos que é preciso equalizar as questões sociais, mas precisamos ter coordenação entre política fiscal e monetária, além de ter regras fiscais críveis — disse Campos Neto.

Campos Neto afirmou que algumas vezes você tem um ponto de inflexão em que quer fazer mais por aqueles que estão precisando. Mas quando se ultrapassa esse ponto de inflexão, existe a possbilidade de criar problemas com os mecanismo de precificação. Por isso, afirmou, existe preocupação que os programas sociais adotados recentemente tornem-se permanentes.

— Com isso, pode-se desorganizar o mercado e, no fim, prejudicar ainda mais aqueles que você quer ajudar - disse.

O presidente do BC disse que é preciso aguardar o resultado das negociações sobre a PEC da Transição e a criação das novas regras de política fiscal para entender quais serão os impactos para a política monetária.

— O que eu posso dizer é que o fiscal é um fator para o BC. Se a convergência que planejamos não estiver acontecendo, precisaremos agir. Mas acreditamos que haverá convergência entre politica fiscal e monetária — afirmou Campos Neto, lembrando que todos já esperavam uma mudança do teto de gastos em 2023.

Ele disse que o grande teste do novo governo será comunicar sua disciplina fiscal com transparência, após estabelecer os parâmetros para a queda da dívida pública no longo prazo. O presidente do BC disse que o mercado não é um monstro, "mas uma máquina de alocar recursos".

O presidente do BC afirmou que vai conversar com o novo governo, mas que nesse momento não sabe dizer quais as regras que virão da equipe de transição que cuida da economia.

— Não podemos trabalhar com suposições. Há um misto de política e comunicação e fazer uma sem fazer a outra pode prejudicar muito. Então é preciso esperar — afirmou.

Campos Neto afirmou que com inflação e taxas de juros altas, as empresas investem menos e não podem se plenejar. Por isso, é importante a disciplina fiscal. Ele disse que ainda é cedo para comemorar a queda da inflação, e afirmou que o trabalho do Banco Central ainda não está terminado.

Economistas do mercado avaliam que o Banco Central só vai começar a baixar a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75%, no segundo semestre de 2023. Mas há economistas que já preevm um novo aumento de juros no curto prazo.

No entanto, ele afirmou que alguma melhora da inflação brasileira foi observada nos últimos meses, mas elas são resultado de medidas pontuais adotadas pelo governo (como redução de impostos até deszembro deste ano), mas que seguem indefinidas à frente.