Mercado espera inflação de 7,65% no ano, mais que o dobro da meta do governo

·2 min de leitura

Após três semanas sem publicação por causa da paralisação dos servidores, o Banco Central voltou a divulgar o boletim Focus, que reúne as projeções do mercado, nesta terça-feira. Nesse período “no escuro”, as expectativas de inflação subiram de 6,86% neste ano, no relatório divulgado em 28 de março, para 7,65% nesta semana.

O mercado também elevou a sua projeção para a Selic neste ano, que passou de 13% para 13,25%. A expectativa de crescimento do PIB variou de 0,5% para 0,65%.

Em março, quando o último relatório foi divulgado, já fazia sete semanas que economistas recalculavam a inflação de 2022 para cima, cada vez mais longe da meta de 3,5% estabelecida para este ano. Mesmo considerando o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo, o número ainda ficaria acima do teto, o que implicaria no descumprimento da meta pelo segundo ano consecutivo.

A inflação vem se mantendo alta e persistente no Brasil. Os preços também são impactados pelos reflexos da guerra entre Ucrânia e Rússia nos combustíveis e alimentos em todo o mundo. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já admitiu que o núcleo de inflação está muito alto e disse que o indicador do IPCA de março, o maior para o mês desde 1994, foi uma surpresa.

A paralisação dos servidores do BC vinha afetando a divulgação de relatórios desde meados de março, quando começaram os atrasos nas divulgações de indicadores – além do Focus, o Ptax, taxa de câmbio usada como referência para o dólar comercial, foi afetado.

Em abril, vários relatórios deixaram de ser publicados, como de estatísticas fiscais, de crédito e do setor externo, e o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB. Especialistas alertavam que a não divulgação dessas pesquisas poderia afetar até mesmo a reunião do Copom, marcada para os dias 3 e 4 de maio.

Os servidores, no entanto, após algumas rodadas de reuniões com Campos Neto optaram por interromper a greve. A avaliação é de que a sinalização de reajuste de 5% por parte do governo para todos os servidores aliada ao avanço de reivindicações dessa carreira que não estão relacionadas a questão salarial permitiam uma “pausa” na mobilização. A categoria aguarda uma proposta oficial do governo até o dia 2 de maio.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos