Mercado popular de Porto Alegre e a readaptação das vendas em 2021 após a 2ª onda da Covid-19

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Por Eduardo Silva

Localizado no centro da capital gaúcha, o Mercado Público de Porto Alegre costumava receber cerca de 100 mil visitantes diariamente, antes da primeira onda da Covid-19 no país.

Em março de 2020, as lojas tiveram que atender aos clientes de portas fechadas, o horário de funcionamento das áreas internas foi reduzido e o local passou a ter limite de 30% do público, conforme decreto.

Desde então, não apenas o movimento, como também o faturamento dos lojistas despencou. Com a segunda onda de casos e internações em leitos hospitalares, a partir de outubro de 2020, os 106 estabelecimentos do Mercado precisaram se adaptar.

Tele-entrega e redes sociais ajudaram a driblar crises por conta da Covid-19

Serviços de delivery (ou tele-entrega) e vendas pelas redes sociais foram algumas das soluções pensadas para driblar a crise. “A tele-entrega é o que tem sustentado a loja. Já que não estamos vendendo na loja física, estamos vendendo pela internet”, diz o lojista Thiago Bazzo.

Bazzo trabalha há três anos na Loja da Reforma Agrária, especializada na venda de produtos orgânicos e saudáveis. Ele conta que a pandemia foi bastante impactante para o negócio, pois mudou a forma como os funcionários trabalham e levou à demissão de uma parte da equipe.

“Também estamos com produtos em menos quantidades porque as coisas não têm saído muito. As pessoas estão comprando apenas o necessário”, pontua.

Giovane Macan é gerente do restaurante vegano Taberna 32. Ele comenta que, no início da pandemia, os clientes que circulavam pelo centro de Porto Alegre pararam de frequentar o local. Para salvar as finanças, o restaurante apostou em entregas por delivery – o que não era feito até então.

A shelf covered with plastic with non-essential products that are prohibited for sale is pictured at a supermarket, after the Rio Grande do Sul state government mandated further restrictions to curb the spread of coronavirus disease (COVID-19), in Porto Alegre, Brazil March 9, 2021. REUTERS/Diego Vara
Uma prateleira coberta de plástico com produtos não essenciais cuja venda é proibida é retratada em um supermercado, depois que o governo do estado do Rio Grande do Sul impôs novas restrições para conter a propagação da doença do coronavírus (COVID-19), em Porto Alegre, Brasil 9 de março de 2021. REUTERS / Diego Vara

“Aprender a trabalhar com delivery foi bem impactante porque não é a mesma coisa que o atendimento ao público direto. O alimento tem que chegar [na casa do cliente] na mesma qualidade que a gente serve no restaurante, com embalagem adequada, para cobrarmos um valor correto”, diz.

Pós-segunda onda: Movimento segue 'desconfiado' e mais fraco do que 2020

Atualmente, o Mercado Público de Porto Alegre está com as portas abertas e o consumo de alimentos dentro do local é permitido. Contudo, Macan afirma que o movimento está mais fraco. “A segunda onda da pandemia foi mais impactante porque houve mais desemprego e nós acabamos perdendo vários clientes, até mesmo no próprio delivery”, lamenta.

Segundo o balconista Wellington Borges, o fluxo de clientes na Casa da Erva Mate, onde ele trabalha há cinco anos, caiu pela metade. “O que nos manteve em pé foi que a gente já tinha uma clientela formada, então os clientes mais fiéis acabavam vindo aqui. Mas não tem aquela coisa do turista vir aqui, entrar e olhar [os produtos]”, comenta.

À frente do Armazém do Confeiteiro, a lojista Carolina Kader afirma que, logo quando a pandemia começou, ela sentiu medo quanto ao futuro do negócio, mas, sobretudo, em relação à saúde. Nos últimos 16 meses, nenhum dos funcionários da loja foi infectado pela Covid-19.

“O Mercado Público sempre teve muito movimento e isso caiu muito, então foi muito desafiador. Neste segundo momento, não é que as coisas melhoraram, mas acho que a gente está se acostumando com as novas maneiras de encontrar e conversar com nossos clientes”, diz.

A woman smokes in front of a closed store in downtown of Porto Alegre, after the Rio Grande do Sul state government mandated further restrictions to curb the spread of coronavirus disease (COVID-19), in Brazil March 3, 2021. REUTERS/Diego Vara
Mulher fuma em frente a loja fechada no centro de Porto Alegre, depois que o governo do estado do Rio Grande do Sul impôs novas restrições para conter a disseminação da doença coronavírus (COVID-19), no Brasil em 3 de março de 2021. (Foto: REUTERS / Diego Vara)

Com redução dos custos para evitar demissões na equipe, o Armazém também focou em vender os produtos de forma online. Ainda assim, as pessoas estão com menos poder de compra e o desemprego tem afetado as finanças da loja.

“A diferença que sinto no dia a dia é justamente o fato de que hoje as pessoas estão com menos medo, porque muita gente já teve Covid-19 e algumas pessoas já estão sendo vacinadas, mas elas não têm dinheiro. Ninguém tem dinheiro para gastar e os produtos subindo muito”, cita Carolina.

Preparação para uma terceira onda da pandemia nas vendas

Sobre uma terceira onda, ela afirma que deve sempre estar preparada, mas pensa positivamente sobre o futuro da loja. 

“A gente não abre mão do online e de fazer propaganda da banca nas redes sociais para caracterizar o Armazém do Confeiteiro como um local que faz venda online. Estamos preparados, se cuidando, mas esperamos que nada piore de novo”, finaliza.

Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), até o dia 2 de julho, Porto Alegre tinha:

  • 158.154 casos confirmados de Covid-19; e

  • 5.144 mortes pela doença.

A taxa geral de ocupação em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que envolve internações por todas as doenças, é de 83,68%. Em toda a rede hospitalar, 647 pacientes internados têm diagnóstico confirmado de Covid-19.

Números da vacinação contra Covid-19 na cidade de Porto Alegre no dia 2 de julho

1ª dose

  • 668.831 cidadãos

  • 60,58% da população vacinável

2ª dose

  • 368.766 cidadãos

  • 33,41% da população vacinável

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