Mercado São Sebastião, na Penha, terá plano e comissão para revitalização

Luiz Ernesto Magalhães
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RIO — Às vésperas de completar 60 anos em 2022, o Mercado São Sebastião, na Penha — que já foi um dos maiores polos atacadistas do país — terá um plano de revitalização para que os galões e as lojas sejam melhor aproveitados para serviços de logística. A prefeitura decidiu criar uma comissão para estudar medidas que possam revitalizar a área conforme decidido em uma reunião nesta sexta-feira, dia 19, entre o prefeito Eduardo Paes e comerciantes na sede da Bolsa de Gêneros Alimentícios. Não está descartado, inclusive, eventuais alterações na legislação urbanística da área, que mede cerca de um milhão de metros quadrados, como explicou o secretário de Planejamento Urbano, Washington Fajardo:

— Decidimos criar um grupo de trabalho que contará com a participação de empresários para definir o melhor aproveitamento da área. Entre os itens que serão observados está um levantamento da quantidade de galpões e pontos comerciais que estão desativados. É difícil avaliar a situação apenas pelo que se vê de dia, pois boa parte das atividades acontecem à noite. Mas alguns pontos estão claros. Não faz sentido hoje, pela modernização da atividade, termos operação de contêineres nessa região — explicou Washignton Fajardo.

Algumas medidas já serão tomadas nos próximos dias no espaço, implantado no terreno de um antigo manguezal no século passado. A prefeitura entrará com serviços para melhorar limpeza, iluminação e conservação das ruas da área.

— Esse é um primeiro passo para a revitalização da Avenida Brasil. O objetivo é que o Mercado seja uma espécie de farol da revitalização da área. A Avenida Brasil ainda tem dois polos econômicos muito vivos: a Ceasa e o Mercado São Sebastião. Este será o pontapé inicial para começar um plano de revitalização também em parceria com o Estado para ações de Segurança Pública — disse o prefeito.

Essa não foi a primeira vez que Paes anuncia parceria com o Mercado. Em seu primeiro mandato, em 2010, Paes criou uma via de acesso direto com a Rodovia Washington Luiz. Além disso, 326 famílias que moravam em imóveis invadidos no mercado foram reassentadas em condomínios do programa Minha Casa Minha Vida.

Municipalização da Cobal

Também nesta sexta-feira, a prefeitura criou um grupo de trabalho para discutir planos de municipalização dos imóveis da Cobal do Humaitá e do Leblon. A proposta já havia sido discutida entre a equipe atual da prefeitura e o ministério da Agricultura na transição. Ainda não há prazo para o processo ser concluído:

— A ideia é trabalhar para fazer uma concessão daquelas áreas. Não faz sentido mercados com características municipais estarem sob a gestão da União — disse Paes.

Paes também reafirmou que pretende ajudar a UFRJ a reativar o Canecão, como antecipou o GLOBO. Ele, no entanto, disse que ainda precisa conversar com a instituição para saber exatamente o que a universidade precisa. Em 2019, a Secretaria municipal de Urbanismo chegou a apresentar um estudo que previa a construção de até 1 mil apartamentos em um terreno da instituição na Avenida Venceslau Brás, no campus da Praia Vermelha. O Canecão seria reconstruído em outro terreno do campus funcionando junto com um complexo cultural. Na época, a proposta recebeu críticas de especialistas em urbanismo e associações de moradores da Zona Sul por temerem um adensamento excessivo da área:

— Estou ansioso pela volta do Canecão. Mas não falei em (liberar) mil apartamentos.Sequer conversei ainda com a reitora para conhecer a proposta. Mas estou à disposição da universidade, para mudar o zoneamento da área, para que o Canecão renasça como espaço público da cidade — disse Paes.