Mercados celebram 'clara vantagem' de Bolsonaro no primeiro turno

Por Mauricio RABUFFETTI
El economista elegido por Jair Bolsonaro (foto), el candidato ultraderechista que obtuvo la mayor cantidad de votos en las elecciones presidenciales de Brasil, entusiasma a los mercados

Os mercados brasileiros comemoraram nesta segunda-feira (8) o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, que deu ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro uma "clara vantagem".

O índice Ibovespa fechou com alta de 4,57%, a 80.083 unidades, após disparar 6% apenas 20 minutos após a abertura.

O dólar fechou a R$ 3,766, contra R$ 3,858 na sexta-feira, um fortalecimento de 2,44% da moeda brasileira

Os gráficos mostraram picos excepcionais no maior mercado acionário da América Latina depois que Bolsonaro obteve 46,03% dos votos no primeiro turno, contra 29,28% de Fernando Haddad.

As ações de empresas passíveis de privatização total ou parcial em um potencial governo de Bolsonaro - cuja política econômica ficaria a cargo do liberal Paulo Guedes - subiam com força. A Eletrobras ON teve alta de quase 17,3%, enquanto a Petrobras PN elevava 11,02%.

- Por que o mercado financeiro comemora? -

A confiança do mercado baseia-se essencialmente na promessa de Bolsonaro de nomear o economista liberal Paulo Guedes à frente de um "super ministério", que uniria as pastas de Fazenda, Indústria e Comércio e Planejamento.

Embora a "fragmentação" do Congresso represente um desafio para as reformas fiscais, a vitória de Bolsonaro o deixou com uma "clara vantagem" e "aumentou as chances de reformas pró-mercado", resumiu a consultoria Capital Economics em um relatório.

O economista André Perfeito, da corretora Spinelli, disse que o apoio dos mercados a Bolsonaro se baseia na perspectiva de "uma série de políticas de cunho liberal", que incluem "venda de ativos e cortes mais robustos dos gastos públicos".

Se Bolsonaro for eleito, Guedes terá a difícil tarefa de afastar o Brasil da recessão e melhorar os dados de desemprego, inflação, déficit fiscal e dívida pública.

- Comércio e privatizações -

Guedes é um liberal, e Bolsonaro, protecionista. Assim, a discussão sobre a abertura comercial só deve ocorrer em um possível governo.

"O Brasil, um país tremendamente protecionista, deverá discutir sua abertura comercial. Ele poderia se beneficiar de um acordo com a China, seu principal parceiro comercial", disse Ignacio Munyo, professor da Universidade de Montevidéu e consultor de negócios na assessoria internacional Grant Thornton International.

"Em termos de privatização, a discussão deve ir para uma visão mais geral sobre a eficiência das empresas", acrescentou.

Este debate estará em foco, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil na semana passada de tratar "injustamente" empresas americanas.