Mercados estão otimistas com negociações comerciais China-EUA

Por Joëlle GARRUS
Membros da equipe americana para as negociações comerciais com a China, em 8 de janeiro de 2019, em Pequim

Os mercados de ações receberam com otimismo, nesta quarta-feira, o fim desta etapa de negociações comerciais entre China e Estados Unidos em Pequim - cujo conteúdo não foi revelado, mas que se estenderam por um dia a mais do que o previsto.

"A prorrogação significa que as negociações foram difíceis? As negociações precisam de um esforço de ambas as partes. Só se pode dizer que sua extensão demonstra que as duas partes levam elas muito a sério", disse nesta quarta o porta-voz do ministério chinês de Relações Exteriores, Lu Kang.

A imprensa chinesa também se mostrou otimista, apesar de ainda não se saber o conteúdo dos diálogos. "As discussões mais longas que o previsto sugerem que autoridades dos dois lados se comprometeram com o acordo", escreveu nesta quarta o jornal Global Times, próximo do governo.

Donald Trump já tinha afirmado na terça-feira, no Twitter, que os diálogos com a China "vão muito bem".

Liderados pelo vice-representante comercial americano, Jeffrey Gerrish, os negociadores do país se reuniram desde segunda com seus homólogos chineses em Pequim. Nesta quarta, o subsecretário de Agricultura americano, Ted McKinney, afirmou apenas que as negociações "foram bem".

A extensão e as declarações positivas da parte americana estimularam os mercados, em alta na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.

As principais praças da Europa acompanharam as bolsas asiáticas, com Frankfurt, Paris e Londres somando pelo menos 1% cada. Wall Street também abriu em alta, ampliando os ganhos no dia anterior, com o Dow subindo 0,5% no primeiro minuto de negociação.

- Consequências globais -

Donald Trump busca um acordo com a China, sobretudo para estabilizar os mercados financeiros, segundo a agência Bloomberg.

O conflito comercial das maiores potências econômicas do planeta tem consequências bem além de suas fronteiras. O Banco Mundial alertou na terça que estas tensões "já estão afetando a atividade (econômica) do mundo".

"A resolução de seus diferendos será muito importante para a maneira como a economia mundial tomará forma neste ano", disse à AFP Ayhan Kose, economista do banco mundial.

"As repercussões desses atritos são medo nos investidores", disse na quarta um editorial do jornal China Daily. "A contagem regressiva já começou", acrescentou.

Em março, chega ao fim a trégua na guerra comercial acordada em dezembro em Buenos Aires entre o presidente chinês e o americano.

Donald Trump e Xi Jinping decidiram dar tempo às negociações para tentar sair da espiral de represálias comerciais tomada em 2018.

"A breve história desta disputa demonstra que os atritos não beneficiam nenhuma das duas partes", indica o China Daily.