Mercados miram semanas de incerteza à espera de dados sobre cepa

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(Bloomberg) -- O destino dos mercados globais agora depende, pelo menos em parte, de laboratórios do mundo todo que estudam a variante ômicron do coronavírus, o que pode trazer semanas de incerteza para investidores à espera de respostas.

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A variante detectada na África é descrita como muito preocupante. Com isso, cada vez mais países começam a fechar fronteiras. Cientistas analisam se as vacinas são eficientes contra a nova cepa e a gravidade dos casos. Fabricantes como BioNTech esperam os primeiros dados dentro de duas semanas, informações preliminares que ajudarão a determinar se a variante representa um susto passageiro ou se causará maior impacto na reabertura econômica global.

Relatos de casos leves de Covid-19 causados pela ômicron trouxeram certa estabilidade aos mercados na segunda-feira, depois das perdas do petróleo e das bolsas na sexta, acompanhadas pelo aumento da volatilidade. Mas dados definitivos são escassos: estrategistas do Citigroup, que incluem Jamie Fahy e Yasmin Younes, estimam que a janela para obter informações mais precisas pode ser de duas a oito semanas, e alertaram para a redução de posições alavancadas.

“No mínimo, a volatilidade será maior nas próximas duas semanas”, disse Peter Berezin, estrategista-chefe global da BCA Research. Os índices acionários podem cair ainda mais, mas uma queda acima de 10% seria uma oportunidade de compra, acrescentou.

O petróleo mostrava recuperação na segunda-feira, cotado a US$ 71 o barril, mas ainda era negociado cerca de US$ 7 abaixo do preço antes do susto causado pela ômicron na sexta-feira. O rendimento dos Treasuries de 10 anos subia, mas também se mantinha abaixo dos níveis de 24 de novembro. Os mercados futuros indicavam que Europa e Estados Unidos podem ajudar a recuperação dos índices acionários globais, perto do menor nível em seis semanas.

Operadores reduziram apostas em uma política monetária mais apertada para combater a inflação, antes o tema dominante em meio a expectativas de que o pior da pandemia havia passado. Mas o que a ômicron representa para o crescimento econômico e a inflação permanece nebuloso.

“A inflação pode ter uma breve trégua devido a preços de energia mais baixos, mas os lockdowns se somam às restrições de oferta, enquanto a demanda dos consumidores nos EUA se mantém inabalável”, disse Ben Emons, estrategista macro global da Medley Global Advisors.

Em meio à incerteza, os ganhos no acumulado do ano à medida que o Natal se aproxima - 22% para o S&P 500 - podem levar investidores a realizar lucros. Outra possibilidade seria a preferência por apostas com foco em empresas que se beneficiam do trabalho remoto e do segmento fique em casa até que surjam mais dados, disse Ryan Jacob, da Jacob Asset Management.

Para o Goldman Sachs, provavelmente não são necessárias grandes mudanças no portfólio, desde que as vacinas existentes permaneçam eficazes e que a ômicron não seja mais perigosa do que outras cepas, escreveu o banco em nota.

O desafio é que a ômicron talvez não tenha sido o único fator em jogo para a queda das bolsas, de acordo com Peter Tchir, chefe de estratégia macro da Academy Securities. Outras variáveis incluem bancos centrais menos favoráveis a uma política frouxa e o fato de que os preços das ações pareciam muito altos segundo alguns indicadores.

“Eu não ficaria surpreso com um salto quando decidirmos que a ômicron é administrável, mas eu atenuaria esse salto, já que não é tudo o que está acontecendo aqui”, disse Tchir.

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