Mercados nos EUA limitam venda de carne, e restaurantes já cortam hambúrguer do cardápio

O Globo com agências internacionais
Supermercados nos EUA limitam o número de pacotes de carne por consumidor

WASHINGTON - Com a redução na oferta de carne nos EUA, alguns supermercados já limitam a compra de proteína animal por cliente. Redes de fast-food também vêm sentindo o impacto de falhas no suprimento, o que levou algumas a cortar do cardápio sanduíches feitos com hambúrguer.

No último mês, dezenas de frigoríficos nos Estados Unidos fecharam por conta da pandemia de coronavírus. A oferta menor do produto deve beneficiar as exportadoras brasileiras de carne.

A Kroger, a maior rede de supermercados dos Estados Unidos, está limitando a quantidade de carne moída e suína que os clientes podem comprar em algumas lojas. E a Costco, onde os americanos costumam comprar a granel, colocou um limite de três produtos nas compras de carne bovina, aves e suínos frescos.

Na semana passada, um quinto dos restaurantes Wendy's - 1.043 unidades - esgotou seu estoque de carne vendendo pratos como hambúrgueres, de acordo com análise da empresa financeira Stephens, que examinou o menu on-line em todos os Wendy's nos Estados Unidos.

A dependência da rede Wendy's da carne fresca pode torná-la mais vulnerável à escassez do que alguns rivais, que usam carne congelada de hambúrguer.

"É sabido que os fornecedores de carne bovina na América do Norte estão enfrentando desafios de produção", disse um porta-voz do Wendy's em comunicado na terça-feira. "Alguns de nossos itens de menu podem estar temporariamente limitados em alguns restaurantes neste ambiente atual."

O número de bovinos abatidos nos EUA caiu abaixo pela quarta semana consecutiva, registrando queda de 35% da produção média de carne bovina, segundo Cassandra Fish, analista da indústria de carne.

E embora muitas redes de supermercados não reconheçam publicamente que estão com pouca carne, Fish disse que os varejistas estão começando a experimentar escassez de estoque causada pelo fornecimento restrito, não apenas por acúmulo de consumidores.

Nos últimos dias, uma série de supermercados anunciou limites na compra de carne. O impacto na indústria de fast-food foi mais desigual.

O McDonald's disse na terça-feira que não sofreu escassez de carne bovina. Mas os executivos da Shake Shack sinalizaram esta semana que o preço da carne bovina "aumentou significativamente".

Em alguns estados, incluindo Nova York, Connecticut, Ohio e Michigan, 30% ou mais dos restaurantes da rede estavam sem carne, enquanto outros estados como Nevada e Arizona não tiveram escassez.

Executivos da indústria de alimentos alertam para possíveis problemas de oferta desde abril, quando surtos em algumas das maiores fábricas de frigoríficos do país interromperam a produção.

Ainda que os americanos sejam líderes mundiais na produção de carne bovina, o Brasil é o maior exportador, com vendas de US$ 7,57 bilhões em 2019, recorde histórico.

Outro fator que pode reaquecer o mercado frigorífico brasileiro é a retomada da economia chinesa. Em 2019, a China foi o destino de 27,3% das exportações da JBS.