Mercados param, preocupados com coronavírus e seu impacto econômico

Por Anne PADIEU
Painel de cotação que exibe os preços das ações do Índice Nikkei 225 em Tóquio, em 28 de fevereiro de 2020

Com exceção de Tóquio, as Bolsas de Valores estavam paralisadas nesta quarta-feira (8), após duas sessões de otimismo, mergulhando novamente nas preocupações ligadas à magnitude da pandemia de coronavírus, que afasta a esperança de uma rápida recuperação econômica.

Como as Bolsas chinesas, os mercados europeus abriram em território negativo. Por volta das 6h, Paris caía 1,82%, como Frankfurt (-1,18%), Londres (-1,74%), Milão (-1,01%) e Madri (-1,72%).

Hesitante no início da sessão, a Bolsa de Tóquio encerrou o dia em alta, impulsionada pela queda do iene e pelo enorme plano de apoio à economia japonesa adotado no dia anterior pelo governo.

Enquanto o número de novas internações se estabiliza em vários países, incluindo Espanha e Itália, os mais atingidos na Europa, Estados Unidos e Reino Unido registraram um recorde de mortes relacionadas à COVID-19 na terça-feira.

A França foi o quarto país a cruzar na terça a marca de 10.000 mortos pelo vírus, depois de Itália, Espanha e Estados Unidos.

Assim, o otimismo dos últimos dois dias de que o pico da epidemia poderia ter sido atingido, especialmente na Europa, desapareceu nesta quarta-feira.

"O mundo pode permanecer confinado por mais alguns meses. Nesse contexto, as ações nos setores de energia e transporte poderão ter um desempenho ruim por um período prolongado", comenta Ipek Ozkardeskaya, analista do Swissquote Bank.

Os tomadores de decisão, que acompanham com especial atenção a evolução do vírus nos Estados Unidos, devem, portanto, antecipar as dificuldades relacionadas ao fim do confinamento e à retomada das atividades.

"A saída do mundo de uma crise de atividade, oferta e demanda não será, de qualquer forma, rápida", estima Hubert Tassin, da Gaspal Gestion.

Na ausência de uma regra comum a ser seguida na União Europeia e nos países associados, vários países, incluindo Áustria, Eslovênia, Noruega e Portugal, preparam seu próprio retorno à normalidade.

Em Wuhan, China, berço da epidemia, o desconfinamento está próximo, depois de dois meses e meio.

A recuperação será "escalonada entre regiões, países, estados americanos e indústrias, o que sugere um avanço mais lento do que se esperava", escreve Esty Dwek, da Natixis IM Solutions.

O que gera alta volatilidade, de acordo com especialistas.

Os preços do petróleo subiam nesta quarta-feira, na esperança de um corte na produção às vésperas de uma reunião crucial dos países produtores de petróleo. Os rendimentos das dívidas soberanas seguiam estáveis.

Em março, as Bolsas de Valores do mundo afundaram, devido ao crescente medo relacionado à disseminação do vírus e às consequências econômicas das medidas de contenção.

Desde então, os governos prestam apoio direto a indivíduos e empresas por meio de planos colossais de recuperação.

Mas os dados econômicos, que estão indo de mal a pior com o colapso do crescimento francês e alemão e o fracasso de uma resposta econômica comum na União Europeia, são suficientes para abalar os investidores.

Eles esperam hoje o relatório da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano).

O documento "pode ajudar a antecipar os próximos movimentos do Fed, mas também esclarecer suas perspectivas para a economia americana", aponta Vincent Boy, analista de mercado da IG France.

Após uma noite inteira de discussões, os ministros das Finanças europeus ainda não concordaram com uma resposta econômica comum ao coronavírus e devem se reunir novamente na quinta-feira.