Mercosul fecha acordo com Singapura em meio a tensões internas

Os países do Mercosul concluíram um tratado comercial com Singapura e concordaram em reduzir em 10% sua Tarifa Externa Comum (TEC), durante uma reunião de ministros do Mercado Comum do bloco nesta quarta-feira (20), em que Argentina e Uruguai confrontaram pontos de vista.

O encontro precedeu uma reunião de cúpula que será realizada nesta quinta-feira na capital paraguaia, Assunção, a primeira presencial desde o início da pandemia de covid-19.

Os presidentes da Argentina, Alberto Fernández, e do Uruguai, Alberto Lacalle Pou, assim como o anfitrião, Mario Abdo Benítez, confirmaram presença. Já a participação do presidente Jair Bolsonaro seguia em dúvida na véspera da reunião.

O Mercosul negou ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a oportunidade de fazer uma intervenção virtual na cúpula, conforme ele havia solicitado, devido a uma falta de consenso no bloco. Não foi divulgado quais países se opuseram.

- Singapura -

O Tratado de Livre-Comércio (TLC) fechado com Singapura pode significar novas exportações do bloco na faixa de 500 milhões de dólares por ano, apontou o vice-ministro da Economia paraguaio, Iván Haas.

O Mercosul, que reúne desde 1991 Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai como membros efetivos, representa um mercado de cerca de 300 milhões de pessoas, frente a Singapura, com 6 milhões de habitantes.

"Concluímos as negociações para um acordo de última geração com Singapura que irá ampliar o horizonte comercial com o Sudeste Asiático", anunciou o ministro paraguaio das Relações Exteriores, Julio Arriola, em mensagem aos colegas do grupo.

O convênio "transcende o comercial e inclui outras disciplinas como os serviços, investimentos, compras públicas, comércio e desenvolvimento, além de capítulos de solução de controvérsias", disse.

O ministro de Comércio e Indústria de Singapura, Gan Kim Yong, mandou uma mensagem à reunião em que celebrou a conclusão do acordo e ressaltou que as os intercâmbios com o Mercosul constituem metade de todo seu comércio com a América Latina.

Em 2021, as exportações do bloco para aquele país alcançaram 5,92 bilhões de dólares, enquanto as importações totalizaram 1,25 bilhão, segundo dados do Mercosul.

- Uruguai e China -

Em paralelo a esse acordo e ao Mercosul, o Uruguai anunciou na semana passada importantes avanços em um TLC com a China. "Com satisfação, podemos dizer que a conclusão" do estudo de viabilidade desse tratado "é positiva", disse o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou.

Embora não esteja na agenda da cúpula do Mercosul, o assunto é polêmico, pois, sob o acordo do bloco, as negociações com outros países ou grupos deveriam ser conjuntas, e não individuais.

O Uruguai pediu reiteradamente uma flexibilização da norma, mas a Argentina, em particular, é contra.

O chanceler uruguaio, Francisco Bustillo, afirmou que "a prioridade (...) não só com a China, mas também com qualquer outro ator, é caminhar ao lado de Brasil, Argentina e Paraguai. Isso nos fortalece em qualquer mesa de negociação". No entanto, esclareceu que,  "se não for o caso, o Uruguai seguirá dando os passos em favor desse aguardado acordo".

Ainda que não tenha mencionado a questão expressamente, o chanceler argentino disse, durante seu discurso: sem o Mercosul, "seríamos mais fracos, teríamos menos músculos para enfrentar as mudanças nas formas de produção e o comércio fora do bloco".

"Em um planeta não apenas regionalizado, mas também fragmentado, com projeções de crescimento em baixa por todos os organismos internacionais, com sérios problemas de desigualdade e, inclusive, fome, alguém pode imaginar com o coração tranquilo que viverá melhor sem seus vizinhos e irmãos?", questionou Cafiero.

- Redução da TEC -

Os quatro países concordaram também em reduzir em 10% a Tarifa Externa Comum, atendendo uma iniciativa do Brasil. "O acordo sobre a tarifa externa comum do Mercosul permitirá uma redução de 10% em um universo de produtos muito amplo", afirmou Arriola.

O chanceler brasileiro, Carlos Alberto França, descreveu a decisão como "histórica" e "essencial para agregar cadeias de valor aos nossos produtos, particularmente em um momento de crise econômica e inflação internacional".

França disse, ainda, esperar que o bloco feche um acordo até o fim do ano com a União Europeia, e os participantes também indicaram que estão dispostos a iniciar mais um, com a Indonésia, neste semestre.

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