Mercosul se recusa a permitir que Zelensky fale em sua cúpula

Os governos da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai negaram ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a oportunidade de fazer uma intervenção por vídeo durante a cúpula de presidentes do Mercosul nesta quinta-feira, anunciou um porta-voz da presidência paraguaia do bloco.

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— Não houve consenso. O embaixador ucraniano na Argentina que estava no Paraguai foi informado. O próprio chanceler fez a comunicação — disse Raúl Cano, vice-chanceler do Paraguai, país anfitrião do encontro de presidentes, em entrevista coletiva nesta quarta-feira.

Cano esclareceu que todas as decisões do bloco são tomadas por consenso, mas se isentou de identificar o país ou países que se opuseram à intervenção de Zelensky. O presidente Jair Bolsonaro, em campanha à reeleição, não irá ao encontro, e o país será representado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e das Relações Exteriores, Carlos França.

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— Quem é a favor e quem é contra, não sei qual Estado não concordou. Nem podemos divulgar o Estado que não deu o seu consentimento — disse Cano.

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O presidente da Ucrânia se comunicou na semana passada com o presidente do Paraguai, Mario Abdo, na qualidade de presidente do bloco regional, para pedir um espaço de participação virtual na cúpula de Assunção.

Em entrevista à TV Globo na terça-feira, o presidente ucraniano criticou a postura neutra do presidente Jair Bolsonaro sobre a guerra na Ucrânia. Para Zelensky, Bolsonaro age como os líderes ocidentais que se mantiveram neutros durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), permitindo o avanço do nazismo sobre o continente europeu.

— Na Segunda Guerra Mundial foi assim: muitos líderes ficaram neutros num primeiro momento. Isso permitiu que os fascistas engolissem metade da Europa e se expandissem mais e mais, capturando toda a Europa — declarou Zelesnky. — Ninguém pode ficar no meio do caminho.

A declaração veio após o telefonema entre os dois líderes, na segunda-feira, quando conversaram sobre a exportação de grãos da Ucrânia e as sanções econômicas dos EUA e da União Europeia contra a Rússia, às quais o Brasil, como a parte dos países emergentes, não aderiu.

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