Covid-19: Após atender pessoas sem máscaras em escola, merendeira contamina familiares e morre no RJ

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Vítima da Covid-19 no RJ já havia reclamado de falta de protocolos na escola em que trabalhava; mãe também faleceu - Foto: Arquivo Pessoal
Vítima da Covid-19 no RJ já havia reclamado de falta de protocolos na escola em que trabalhava; mãe também faleceu - Foto: Arquivo Pessoal
  • Merendeira que dizia atender pessoas sem máscaras no RJ acabou falecendo após contrair Covid-19 no RJ

  • Mãe da mulher também morreu da doença, com poucos dias de intervalo

  • Irmã diz que vítima relatou problemas do protocolo aos seus superiores

Solange Carvalho de Oliveira, 58 anos, faleceu em decorrência da Covid-19. Ela era merendeira na Escola Municipal Luiz Camillo, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A pandemia do novo coronavírus também levou a mãe dela, Semiramis de Carvalho, 76, nove dias antes da filha.

Sandra Carvalho, 54 anos, irmã de Solange, relata que ao menos sete pessoas de sua família testaram positivo para a Covid-19. Ao UOL, que revelou a história, Sandra contou que a irmã reclamava de atender pessoas sem máscara na escola onde trabalhava.

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Solange atuava na rede municipal há 20 anos. Nos últimos seis, ela havia deixado a função de merendeira por problemas de hérnia na coluna. Contudo, durante a pandemia, trabalhou na distribuição de cestas básicas e material didático. 

Segundo Sandra, sua irmã reclamava que muitos iam à escola sem usar máscara, equipamento essencial no combate à propagação do novo coronavírus. Solange teria relatado aos superiores o problema. 

Após comunicar o problema, Sandra diz que a irmã ouviu uma resposta resignada dos superiores. "A direção falou que ali [a escola fica na comunidade Santa Maria] 'era assim mesmo'", relata ao UOL. 

Encontro familiar resultou em sete casos de Covid

Vítima da Covid-19 no RJ já havia reclamado de falta de protocolos na escola em que trabalhava; mãe também faleceu - Foto: Arquivo Pessoal
Vítima da Covid-19 no RJ já havia reclamado de falta de protocolos na escola em que trabalhava; mãe também faleceu - Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo com dores no corpo, Solange organizou um encontro da família durante o Carnaval no sítio da irmã, em Guaratiba. Segundo Sandra, ela achava que as dores vinham do seu problema crônico na coluna e não relacionou o sintoma à Covid-19. 

De acordo com o relato de Sandra ao UOL, dos nove presentes, sete pegaram covid e duas morreram —Solange e a mãe. Para Sandra, foi a irmã quem contaminou os familiares.

Mesmo também contaminada, Sandra teve que reconhecer o corpo da mãe e da irmã que morreram com poucos dias de intervalo. 

"Minha irmã foi a única no sítio com sintomas. É uma doença rápida. Todos tão felizes no feriado e, em duas semanas, tudo foi por água abaixo. É uma doença devastadora", lamentou ao UOL. 

Falta de protocolos preocupa Sindicato, que acionou Justiça

Segundo o Sepe-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro), 41 funcionários da rede municipal e 52 da estadual morreram de Covid-19 neste ano. 

O órgão quer responsabilizar criminalmente o prefeito Eduardo Paes [DEM] e o governador em exercício Claudio Castro (PSC) pelos óbitos. O Sindicato cobra, desde ano passado, obras para que as escolas possam cumprir minimamente os protocolos sanitários. 

Sandra, que que é professora no Colégio Estadual Maria Terezinha de Carvalho Machado, na Zona Oeste do Rio, diz ser impossível realizar uma volta às aulas de maneira segura na instituição. 

"Não tenho a menor condições de voltar. Minha escola tem 4.000 alunos. Não tem como fazer distanciamento. Pedi consulta com uma psicóloga para me manter trabalhando remotamente com uma licença", diz ela ao UOL. 

Segundo a Seeduc (Secretaria de Estado da Educação), a retomada das aulas presenciais, no modelo híbrido, inicia-se nessa segunda-feira (19). A retomada das aulas presenciais, no modelo híbrido, acontece hoje (19). As aulas na rede estadual foram retomadas parcialmente em março, mas com o agravamento da pandemia, foram suspensas dia 12.

Na rede municipal, as aulas voltaram desde 6 de abril em 419 unidades de ensino infantil, 1º e 2º ano do ensino fundamental —o percentual de alunos autorizado a retornar às salas de aula depende das condições epidemiológicas da região.

Posição dos órgãos responsáveis

Ao UOL, a SME (Secretaria Municipal de Educação) do Rio diz ter disponibilizado máscaras, álcool em gel, sabonete líquido, e garantido a higienização dos espaços e espaçamento no piso e carteiras nas escolas.

A SME diz não ter recebido reclamações formais sobre o caso específico de Solange, nem de qualquer outro servidor, sobre pessoas indo às escolas sem máscara. 

A Seeduc garante que as escolas estão adequadas aos protocolos sanitários desde outubro. Segundo o órgão informou ao UOL, os servidores do grupo de risco permanecem realizando suas funções de forma remota.