Merendeira usou geladeira e freezer como barricada para proteger alunos

Merendeira Silmara Cristina Silva abriu a cozinha para abrigar alunos que fugiam dos atiradores. (Foto: Bruno Brito/Futura Press)

A merendeira Silmara Cristina Silva, de 54 anos, ajudou a proteger cerca de 50 alunos na cozinha da Escola Estadual Raul Brasil durante o ataque que matou, até agora, 10 pessoas – incluindo os dois atiradores -, na quarta-feira (13), em Suzano, na Grande São Paulo. Ela contou que usou a geladeira e o freezer do refeitório como barricada, além de uma mesa que foi usada como escudo.

As informações são do portal G1.

“Nós estávamos servindo merenda e aí começou os ‘pipoco’ e as crianças entraram em pânico. Abrimos a cozinha e começamos a colocar o maior número de crianças dentro e fechamos tudo e pedimos para eles deitarem no chão. (…) Eu arrastei a geladeira e o freezer para fazer uma barricada e ficamos atrás. A mesa viramos e fizemos um escudo para proteger as crianças. Ficamos acuados em um canto só, se acontecesse alguma coisa, ele ia pegar muita gente”, disse, emocionada, ao G1.

A funcionária contou que os assassinos – posteriormente identificados como Guilherme Taucci de Monteiro, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, – pareciam andar por todo lado. “Parecia que procuravam alguém. Iam para lá e para cá atirando muito. Nós não vimos nada. A gente abaixou e ficou escutando o movimento. Isso durou de 10 a 15 minutos mais ou menos”, detalhou.

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Silmara explicou ainda que quando a cozinha já tinha em torno de 50 alunos, foi preciso trancar a porta e então todos se deitaram. O grupo permaneceu no local até a chegada da polícia.

“Porque eles (atiradores) estavam próximos e a cozinha é rodeada de janela. A gente deitou no chão e nós não vimos nada com medo que atirassem. Mas graças a Deus nada aconteceu com quem não estava lá”, revelou.

O ATAQUE

Os atiradores chegaram na escola de carro, entraram pelo portão da frente, na hora do intervalo, encapuzados – um deles com máscara de caveira – e atiraram contra alunos e funcionários.

As primeiras vítimas foram a coordenadora pedagógica e uma funcionária, que estavam na sala da coordenação. Depois, os atiradores miraram o pátio e mataram cinco estudantes. Em seguida os assassinos foram até o centro de línguas e cometeram suicídio em um corredor. O tiroteio deixou pelo menos 11 pessoas feridas.

Jorge Antônio Moraes era dono de uma locadora de carros e foi baleado quando os atiradores pegaram um Onyx branco usado para chegar ao colégio. Moraes chegou a passar por cirurgia, mas morreu no hospital.

Confira a lista das vítimas fatais e feridos em decorrência do massacre.

A polícia encontrou um revólver calibre 38 e uma besta (arma medieval que funciona com flechas), além de portarem 4 jet loaders (para recarregamento de arma). Foram encontrados ainda uma machadinha e um arco e flecha com os corpos dos atiradores.