Alemanha exige explicações dos EUA sobre 'grampo' contra Merkel

Merkel participa de uma entrevista ao chegar à reunião na sede da União Europeia, em Bruxelas

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, pediu nesta quinta-feira aos Estados Unidos um esclarecimento "completo e honesto" sobre a suposta escuta dos serviços de inteligência americanos contra o telefone celular da chanceler Angela Merkel.

"Esperamos que isto seja esclarecido de forma completa e honesta", disse Westerwelle, após se reunir com o embaixador dos Estados Unidos em Berlim.

"Escutar as comunicações de seus aliados próximos é inaceitável e chocante", afirmou Westerwelle.

"Quem tem confiança em seus aliados não monitora suas comunicações. Quem faz isto prejudica a amizade".

Pouco antes, Merkel havia declarado que "a espionagem entre amigos não é algo positivo, em absoluto", ao chegar para a Cúpula de Bruxelas.

Segundo uma fonte parlamentar em Berlim, uma delegação alemã viajará em breve aos Estados Unidos para analisar o caso.

Merkel ligou na quarta-feira para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para exigir uma explicação sobre o possível grampo realizado pela agência nacional de segurança (NSA).

Obama garantiu a Merkel que Washington "não espiona nem espionará suas comunicações".

A chanceler alemã indicou que se a informação for confirmada, será algo "totalmente inaceitável" e um "golpe duro para a confiança" entre os países.

O jornal britânico The Guardian publicou nesta quinta-feira que a NSA "espionou as conversas telefônicas de 35 dirigentes do mundo após um alto funcionário americano entregar uma lista com os números".

The Guardian cita um documento interno no qual a NSA pede aos responsáveis de vários organismos do Executivo, incluindo Casa Branca, departamento de Estado e Pentágono, que "compartilhem seus números de telefone e endereços (e-mail) com a agência".

Apenas um destes responsáveis, cuja identidade e função não foram reveladas, entregou "200 números, entre eles os de 35 dirigentes mundiais", comemoram dirigentes da NSA no documento.