Merkel e Putin pedem redução da tensão na Líbia e uma conferência de paz

Por Maxime POPOV
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da Rússia, Vladimir Putinnuma coletiva em Moscou, em 11 de janeiro de 2020

Os dirigentes da Alemanha e da Rússia disseram neste sábado que esperam uma rápida redução das tensões na Líbia e a realização de uma conferência de paz patrocinada pela ONU, considerando que esse conflito pode ser internacionalizado.

"Realmente espero que dentro de algumas horas (...), como pedimos ao presidente turco (Recep Tayyip) Erdogan, as partes do conflito na Líbia parem de disparar", disse o presidente russo Vladimir Putin, após uma reunião em Moscou com a chanceler alemã Angela Merkel.

Putin e Erdogan, atores-chave do conflito, pediram um cessar-fogo a partir da meia-noite de domingo, embora, como na Síria, tenham interesses divergentes

A Turquia enviou militares em janeiro para apoiar o Governo da Unidade Nacional (GNA) - reconhecido pela ONU - de Fayez al Sarraj, enquanto a Rússia, apesar das negações, é considerada suspeita de apoiar as tropas rivais do marechal Khalifa Haftar.

"É importante encerra o confronto armado", insistiu Putin, enquanto o marechal Haftar até agora diz que quer continuar a ofensiva contra o GNA, com sede em Trípoli.

O chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, disse neste sábado que a Rússia deve "convencer" o chefe militar e homem forte do leste da Líbia.

- Conferência de paz em Berlim -

A chanceler alemã cumprimentou os esforços russo-turcos e disse que espera emitir em breve "convites para uma conferência em Berlim sob o patrocínio da ONU", para tornar a Líbia um país "soberano e pacífico".

"As partes líbias que atualmente travam um confronto armado (...) devem estar envolvidos o máximo possível para encontrar soluções", afirmou a dirigente.

Para o presidente russo, essa conferência seria um "passo na direção certa".

Imersa no caos desde a revolta de 2011 que levou à morte do ditador Muammar Kadafi, a Líbia é palco de um conflito entre o GNA e as forças rivais do marechal Haftar.

O GNA é apoiado pela ONU, por vários países do Ocidente e pela Turquia. O marechal Haftar é apoiado pelo Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

A Alemanha pretende desempenhar um papel mediador na crise e não quer ver o país se tornar uma "segunda Síria", um conflito no qual a Rússia e a Turquia se tornaram os principais atores internacionais, deixando os ocidentais praticamente à margem.