'Mesa gigante' de Putin volta à cena em reunião com chefe da ONU

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  16-07-2014, 12h00: Presidente da Russia Vladimir Putin deixa o Palácio do Itamaraty após reunião da VI cúpula dos BRICS e da Unasul, que teve a presidente Dilma Rousseff como anfitriã. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 16-07-2014, 12h00: Presidente da Russia Vladimir Putin deixa o Palácio do Itamaraty após reunião da VI cúpula dos BRICS e da Unasul, que teve a presidente Dilma Rousseff como anfitriã. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ela está de volta. Em meio a diálogos que buscam o fim da Guerra da Ucrânia, um mobiliário que chamou a atenção antes da invasão empreendida pela Rússia voltou a se destacar no encontro desta terça (26) entre o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente Vladimir Putin: a "mesa gigante".

Com cerca de cinco metros e três pilares adornados, o móvel ganhou destaque na reunião entre o russo e o agora reeleito presidente francês, Emmanuel Macron, em fevereiro. O motivo foi a recusa do visitante em realizar um teste PCR para detecção do coronavírus -o receio, à época, era que seu DNA fosse clonado.

Quase três meses depois, foi a vez de Guterres ser recebido, o que indica que ele também se negou a fazer o exame. Desta vez, nenhum adorno ocupava o centro da mesa, e o contexto já é bem diferente.

Se antes o objetivo era diminuir as tensões para evitar um conflito, hoje a guerra, em seu 62º dia, já matou ao menos 2.345 civis, segundo estimativa do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos --mas o organismo ressalva que o número pode ser maior. Há, ainda, a tensão de os combates ultrapassarem as fronteiras ucranianas, provocando a Terceira Guerra Mundial.

A volta da mesa, porém, traz de volta um alívio cômico, devido à distância que separava os participantes.

Após ganhar os holofotes com Macron, houve até uma disputa em torno de sua autoria. Renato Pologna, CEO da fábrica italiana de móveis OAK, diz que o móvel foi produzido por sua empresa, em 1995.

Segundo ele, a mesa foi paga em liras, em preço que corresponde hoje a 100 mil euros (R$ 580 mil). A encomenda deste e de outros móveis feita pelo governo russo, que à época tinha Boris Ieltsin como líder, chegou a 20 milhões de euros. O espanhol Vicente Zaragoza, porém, também diz ser o criador do móvel.

Seja como for, o mobiliário já foi palco de diferentes reuniões no Kremlin. Neste ano, também foram recebidos ali os premiês Olaf Scholz, da Alemanha, e Viktor Orbán, da Hungria, além do presidente iraniano, Ebrahim Raisi. O líder brasileiro, Jair Bolsonaro, por sua vez, conversou com Putin bem mais de perto, já que não se negou a fazer o teste de Covid-19 em sua visita ao país, em fevereiro.

Há também registros mais antigos de Putin recebendo de chanceleres a jogadores de futebol na sala com suntuosos lustres, estátuas de bronze, tapete floral e longas cortinas --que foram trocadas de lá para cá.

Em julho de 2018, o presidente russo recebeu atletas de sua seleção em meio à Copa. No ano anterior, a mesa foi o centro da reunião entre Putin e executivos da empresa de óleo e gás OMV, baseada em Viena.

Em 2017 e 2018, também foram registradas reuniões com ex-líderes regionais, candidatos à Presidência e personalidades políticas, como o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o então secretário de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton.

Nos encontros antes da pandemia, porém, a cena à mesa era menos solitária. Os participantes ficavam frente a frente, mas mais próximos, e a mesa por vezes chegou a ter ao seu redor 14 pessoas.

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