Mesa do GLOBO na Flip debate meio ambiente e povos originários

Preservação do meio ambiente e dos povos originários, aliados ao desenvolvimento, foi um temas do encontro promovido pelo O GLOBO na Casa de Cultura de Paraty, na manhã sexta-feira, durante a Feira Literária Internacional de Paraty. Para debater essa e outras questões, como a expectativa para o Ministério dos Povos Originários, anunciado pelo presidente eleito Lula, e a atualidade da legislação ambiental brasileira, estiveram presentes a educadora e filósofa Cristine Takuá e o cineasta Carlos Papá, o escritor Pedro Augusto Baía, o coordenador de biodiversidade da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro, Francisco Carrera, e o engenheiro florestal da Cedae Alan Abreu.

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— Quando a gente pensa em mudança climática para o futuro, estamos sentindo o começo, em que a gente está preocupada já. Imagina daqui a 50 anos, o que as pessoas irão sentir? — provocou Papá, liderança espiritual do povo Guarani Mbya e habitante da aldeia do Rio Silveira. —A gente foi pego pelo capitalismo e esqueceu a essência do respeito. Achamos que desenvolvimento são coisas materiais. A gente esqueceu a essência do valor da vida e precisa mudar nosso modo de viver, pensar no convívio com o meio ambiente.

Cristine, do povo Maxakali, ressaltou a importância de união em torno da pauta de demarcação de terras.

—Não há como pensar em mudança climáticas, se o povo brasileiro não se juntar à luta da defesa dos territórios — disse a filósofa, que compartilhou também sua expectativa com a nova pasta proposta pelo vencedor da eleição. — Tenho expectativa positiva, mas vamos observando. Acredito que essa eleição de 2022 representou a vitória da democracia. O ministério é a possibilidade de se conseguir proteger esses territórios. Desde a Constituição Federal de 1988, foi recomendado a demarcação de terras. Sem território não ha vida. Nossa luta pela terra é para que florestas continuem em pé.

Especialista em direito ambiental e gestor público, Francisco Carrera explicou que a legislação brasileira é disruptiva, mas precisa ser aplicada com seriedade.

— Segundo a Constituição, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Esta foi a primeira no mundo a dedicar um capítulo inteiro ai meio ambiente. Temos leis excelentes, mas precisamos de uma aplicação efetiva do Judiciário. A sensação de impunidade fomenta o descrédito da legislação ambiental brasileira — disse Carrera, que divertiu a plateia ao final do evento com o talento de imitar diversas aves.

A integração de políticas ambientais com sociais foi exemplificada por Alan Abreu, que explicou o funcionamento do projeto "Replantando vidas", da Cedae, que visa a requalificar detentos como guardiões da floresta. Eles recebem treinamento para ações ambientais de preservação que os ajudam no trabalho e ressocialização. Hoje, segundo o engenheiro, o programa tem mil vagas:

— A partir da vivência, você vai quebrando preconceitos.

Palavras como ferramenta

Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2022, na categoria contos, com o livro "Corpos benzidos em metal pesado", o paraense Pedro Augusto Baía ressaltou a importância da cultura e educação na conscientização de questões ambientais:

— A gente precisa aprender, e só vai aprender ouvindo os povos originários. Falar sobre preservação é dar voz a essa população. A literatura pode ser essa ferramenta. Não consigo pensar numa literatura desengajada. Enquanto escritor, tento trazer essa colaboração.