Mesmo com apuração zerada, 'eleito' comemora, e adversários reconhecem derrota em Jaboticabal

MARCELO TOLEDO
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JABOTICABAL, SP (FOLHAPRESS) - A apuração oficial do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ainda não aponta nenhum voto apurado em Jaboticabal (a 342 km de São Paulo), mas candidatos já reconhecem a derrota, e o futuro prefeito, Emerson Camargo (Patriota), 41, já celebra a vitória em sua terceira tentativa de chegar ao cargo. Isso acontece graças às apurações paralelas feitas por emissoras de rádio da cidade e também pelas campanhas eleitorais. No comitê do prefeito eleito, uma equipe se debruçou a partir do fechamento das urnas para contabilizar os votos em cada seção eleitoral a partir dos boletins de urna, que mostram todos os candidatos a prefeito e vereador votados nela. Por essa contagem, já foram apuradas 93% das urnas e não há chance de Emerson não ser o próximo prefeito. O candidato Professor João (DEM) reconheceu a derrota na eleição deste domingo (15), parabenizou Emerson pela vitória e disse que o seu papel agora será de fiscalizar a aplicação das mais de 50 páginas do programa de governo do candidato eleito. Baccarin (PT) foi outro a reconhecer a derrota. Disse que trabalhou para ter mais que os 10% de votos válidos que deve ter ao final da apuração e que será oposição ao eleito na cidade. A apuração paralela mostra Emerson com 13.164 votos, seguido por Vitorio de Simoni (MDB), com 7.623, João (5.674), Baccarin (3.249) e Marcos Bolsonaro (PSL), com 1.232. Após duas tentativas sem sucesso de chegar à prefeitura, Emerson foi eleito neste domingo depois de ter sido o principal alvo dos adversários durante a campanha deste ano. Em segundo lugar na eleição ficou o atual vice-prefeito, Vitorio de Simoni, 46, seguido pelo ex-secretário da Saúde Professor João, 56, o ex-prefeito Baccarin, 63, e Bolsonaro, 58. "É um misto de sentimentos, porque foi uma caminhada longa, que começou lá em 2004 quando eu sai candidato a vereador a primeira vez, não tive sucesso. Sempre batendo em propostas, nunca em promessas", disse Emerson à reportagem. Eleito vereador em 2008, Emerson tentou pela primeira vez ser prefeito na eleição seguinte, quando obteve 18,7% dos votos e ficou na terceira posição. Com a vitória agora, o candidato, que é professor, superou a derrota por 276 votos de diferença para o atual prefeito, José Carlos Hori (Cidadania), em 2016, quando alcançou 36,07% dos votos válidos. Em suas caminhadas e visitas de campanha, ele dizia aos eleitores que não queria que o cenário da última eleição se repetisse. Chegou a ouvir de um eleitor na última quarta-feira (11) que ele não venceu em 2016 porque não se dedicou mais à campanha. Ele refutou o argumento e disse que tinha trabalhado demais, e que venceria neste ano. Nas duas últimas semanas, teve em média 15 compromissos diários de campanha, como conversas com operários em fábricas e visitas em bairros, além de lives diárias feitas numa produtora. Durante a celebração da vitória em seu comitê, ele disse que era preciso atender as necessidades mais básicas da população de Jaboticabal a partir de janeiro, e que o governo terá de criar mecanismos para combater os efeitos da pandemia do novo coronavírus na saúde e na economia. Enquanto candidatos a vereador, cabos eleitorais e membros da campanha comemoravam a vitória a partir dos resultados extraoficiais divulgados, com interdição da rua em frente ao comitê eleitoral, Emerson evitava a euforia e passou a maior parte do tempo dentro do imóvel utilizado como QG da campanha. Mas depois celebrou com champanhe e discursou as cerca de 150 pessoas que ali estavam. O novo vice-prefeito a partir de 2021, Nelsinho Gimenez (Patriota), 40, deve ocupar um cargo no secretariado de Emerson, que disse querer economizar recursos com cargos comissionados. A perspectiva, segundo o vice, é que ocupe a Secretaria da Agricultura ou da Indústria e Comércio, embora tenha ligação também com o esporte, pois é presidente do Jaboticabal Atlético, time que tenta voltar a disputar competições oficiais da FPF (Federação Paulista de Futebol). Quatro dos cinco candidatos votaram logo na manhã deste domingo. O primeiro foi Baccarin, que votou às 10h na escola Joaquim Batista, seguido por Marcos Bolsonaro e Professor João. Depois, foi a vez de Emerson votar, na escola Walter Barioni, no final da manhã. No início da tarde, Vitorio votou na escola Coronel Vaz. A maioria dos candidatos passou o dia em casa, à espera da apuração. O resultado das urnas destoou, pela primeira vez, da votação paralela feita num bar de Jaboticabal. O comerciante Rubens Toledo Junior coloca uma urna no estabelecimento para que os frequentadores do bar escolham seu candidato já há cinco eleições. Os resultados --os vencedores, não os percentuais-- sempre bateram com os oficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Neste domingo, porém, duas coisas chamaram a atenção de Rubinho, como é conhecido: o alto número de votos em branco e Vitorio aparecer em primeiro lugar --nas urnas, ele foi o segundo colocado. Com 227 votos, Vitorio obteve 30,4%, seguido por Emerson (28,2%), João (13,2%), Bolsonaro (8%) e Baccarin (4,4%). Outros 15,8% colocaram a "cédula" em branco na urna. "É uma brincadeira que fazemos, e ver tanta gente votando em branco numa brincadeira foi algo diferente. Preocupa esse total", disse. Em entrevista à Folha de S.Paulo durante a apuração, o futuro prefeito disse que os votos em branco e as abstenções o preocuparam. "A não participação dos eleitores, não só em Jaboticabal, mas no país todo, fragiliza o processo eleitoral", disse. Ele afirmou que deseja iniciar a transição de governo o mais rápido possível, para que sua equipe tome conhecimento da situação financeira e administrativa da prefeitura.