Mesmo com campanha suspensa, idosos vão a postos de saúde no Rio em busca da vacina contra a Covid-19

Diego Amorim
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A Quarta-feira de Cinzas indicava ser de alívio e celebração para a aposentada Teresinha Santana, de 82 anos, moradora de Copacabana, Zona Sul do Rio. Sempre atenta ao calendário de imunização contra a Covid-19, a idosa contava os dias para receber a dose. Segundo o cronograma inicial de vacinação, aqueles com 82 anos ou mais seriam imunizados hoje (17). No entanto, o fim do estoque obrigou a cidade do Rio a interromper a campanha até que novas doses cheguem. Essa suspensão deixou idosos frustrados e receosos pelo futuro ainda incerto. Muitos deles ainda tentaram ir até os postos de saúde da capital em busca da vacina. Mas em vão.

— Eu vi no noticiário que não tinham mais doses, mas vim para comprovar. Estava acompanhando ansiosa pelo meu dia, que não chegou ainda, infelizmente. Mas se Deus quiser vai chegar. É uma ansiedade muito grande, porque essa dose significa muita coisa para todos nós, que lutamos contra essa doença — afima a idosa, que mora em Copacabana e foi até o Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto.

Na mesma unidade esteve a aposentada Renilda Silveira, também de 82 anos. Ela lamenta a falta de vacinas neste momento.

— Eu tenho 13 sobrinhos e 16 sobrinhos-netos. Estou há tanto tempo sem vê-los, por conta da pandemia, que já nem sei mais se os reconheço A pandemia acabou afastando os parentes — brinca a idosa, sem deixar as críticas de lado — Eu fico triste de não receber a minha vacina, que já demorou tanto a chegar e agora pode demorar ainda mais. É nosso direito tê-la.

Para a aposentada Maria da Conceição Carvalho, a imunização ainda pode ser um presente de aniversário, celebrado no dia 25 deste mês. Por medo, após os recentes casos das "vacinas de vento", a idosa terá a companhia da filha, a empresária Janice Casemiro, de 54 anos, no dia da aplicação.

— Estava muito ansiosa, estou ainda mais. No dia 25 faço 83 anos. Por uma semana não consegui tomar a minha dose antes da paralisação — destacou a idosa, que foi orientada por funcionários do posto de saúde a acompanhar a divulgação de um novo calendário. — Me disseram que estão aguardando a chegada, para ficar atenta. Sou cardíaca, então o meu medo é maior.

Apesar de toda a frustração, a aposentada Iracema Fasulo, de 82 anos, mantém o otimismo diante das adversidades. Ela esteve no posto de Copacabana ao lado do irmão Antônio Carlos Fasulo, de 67.

— Nós chegamos a ver pela televisão que não tinha mais vacina, mas acreditamos que aqui nos postos de saúde ainda tinha alguma reserva. Agora é voltar para casa e seguir com os cuidados necessários até que a minha vez chegue. E eu sei que ela vai chegar, se Deus quiser, assim como também chegará para todos os brasileiros.