Mesmo com desempenho de nanico, PSL deve evitar diálogo com Bolsonaro

Naira Trindade
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AG SENADO
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BRASÍLIA — Com um fundo eleitoral de quase R$ 200 milhões para investir na campanha de seus candidatos a prefeitos e vereadores nestas eleições, o PSL teve um resultado pífio nas urnas. A legenda, que em 2018 conseguiu a segunda maior bancada na Câmara, obteve um desempenho bem aquém do esperado no primeiro pleito sem o principal puxador de votos de dois anos atrás: o presidente Jair Bolsonaro. O resultado das urnas, porém, não deve antecipar um diálogo de reconciliação. O PSL quer aproveitar o distanciamento com Bolsonaro para tentar se tornar opção para assumir a presidência da Câmara em fevereiro de 2021.

Com desempenho igualado ao de um partido nanico, o grande PSL não conquistou nenhuma cidade com mais de 200 mil habitantes e, até agora, está no segundo turno apenas em Praia Grande (SP) e Sorocaba (SP). A maior cidade que venceu foi Ipatinga (MG), onde não tem segundo turno. Apesar de a legenda ter melhorado seu desempenho se comparado ao pleito de 2016 — elegeu 90 prefeitos e 1.158 vereadores este ano ante 30 e 878 quatro anos atrás, respectivamente —, o resultado decepcionou a cúpula do PSL que já traça estratégia para não ver o partido minguar nas eleições de 2022 caso não consiga novos expoentes.

As mudanças podem passar por reformulações nos comandos dos principais diretórios estaduais espalhados pelo país. A tendência é que a legenda tire os diretórios das mãos de deputados inexperientes que não conseguiram somar novos políticos à legenda nestas eleições. O presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (PE), evita comentar o assunto já que está focado em se tornar o candidato do grupo de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na disputa pela presidência da Câmara e precisa estar em harmonia com sua bancada.

Nos bastidores, a cúpula do PSL não se conforma com os resultados das regiões do Norte, Nordeste e Sudeste. Dos 90 municípios conquistados, o PSL fez 44 na região Sul só fez 25 prefeitos no Sudeste, nove no Centro-Oeste, oito no Nordeste, e quatro no Norte. Assim, a sigla vai governar apenas 1.26% da população do país. Apesar de nos bastidores a cúpula admitir a derrota e buscar uma alternativa para 2022, em nota, Bivar enalteceu o desempenho da legenda.

“O PSL cresceu nessas eleições. Percentualmente, poucos partidos cresceram como nós, o que é um alento e um estímulo. O erro é comparar eleições municipais com eleições federais, são dois números distintos. Temos que comparar 2016 com 2020. As eleições federais só devem ser comparadas quando tivermos os resultados de 2022”, afirmou.

Para se tornar um nome viável à sucessão de Rodrigo Maia, Bivar está disposto a dividir seu protagonismo com o democrata. Ele tem se alinhado a Maia e dois possíveis candidatos do mesmo campo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP). O emedebista, que já era tido como favorito, terá mais bala na agulha para dialogar uma vez que o MDB está entre os partidos com melhor desenvoltura nestas eleições. Ainda que tenha reduzido seu resultado total, o partido presidido por Rossi segue sendo o que tem maior número de prefeitos.