Mesmo com igrejas fechadas, fiéis não deixam de pedir proteção a São Jorge

Geraldo Ribeiro
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A pandemia do novo coronavírus mudou as celebrações a São Jorge, mas não impediu que fiéis pedissem proteção ao Santo Guerreiro, nesta sexta-feira. Na igreja matriz de Quintino, na Zona Norte do Rio, que costumava receber, em média, 1,5 milhão de fiéis durante o dia de homenagens, as missas foram com as portas fechadas. Mas do lado de fora, muita gente compareceu para acender velas, fazer seus pedidos e agradecer pelas graças recebidas.

Muitos devotos também se ajoelharam para rezar diante das grades do portão que permaneceu fechado mesmo durante a missa das 10h, que foi presidida pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Presentes na celebração apenas os religiosos, seus colaboradores e alguns poucos convidados.

Ao final da celebração uma carreata com apoio da Polícia Militar percorreu as ruas do bairro, fazendo mesmo trajeto da procissão, que foi suspensa para evitar aglomeração. Tanto Dom Orani como o pároco da igreja, Padre Dirceu Rigo, recomendaram aos fiéis que não saíssem de casa e aguardassem pelas bençãos das portas e janelas de suas residências.

— Ninguém precisa sair de casa, basta ficar na porta, portão ou janela, sem aglomerações saudando a imagem de São Jorge que passa pelas ruas da região. Nós pensamos que os nesse tempo de tantos problemas sejamos sempre firmes e fortes, como São Jorge é e sempre coerentes com nossa fé como São Jorge sempre foi até o fim, até o martírio — apelou Dom Orani, que pediu ainda aos fiéis que continuem colaborando em suas paróquias com a doações de alimentos para a Campanha do Quilo, que serão destinados aos mais necessitados — É o jeito de sermos cristãos amando Cristo no próximo, ajudando na sua alimentação.

Selminha Sorriso, a porta-bandeira da Beija Flor de Nilópolis, que desde 1998 leva o pavilhão da escola para ser benzido na igreja de Quintino, todos os anos no dia de São Jorge, está entre as pessoas que se mantiveram distantes da celebração. De serviço no Corpo de Bombeiros, onde é segundo sargento, disse que assim que terminar o plantão vai trocar a farda pela camisa em homenagem ao santo e rezar diante de sua imagem, em casa. O principal pedido é para que sua vez de ser vacinada contra o coronavírus chegue logo.

— Assim como no ano passado, quando estávamos na mesma situação, ficou um vazio. Repostei (nas redes sociais) imagem antiga (dela na igreja) e fiquei pensando o que a pandemia nos causou em dias especiais como esse. Mas a fé continua forte e perdura. E vamos pedir para vacinar o quanto antes para ficarmos imunizados contra esse coronavírus — pediu Selminha, que também postou um vídeo divulgando a feijoada que será servida neste sábado e domingo pela paróquia de Quintino, de forma delivery e drive trhu, por conta da pandemia.

Na igreja da Praça da República não teve missa, para evitar aglomeração. Mas isso não impediu que dezenas de fiéis comparacessem pela manhã para acender velas, rezar e fazer os seus agradecimentos. O ambulante Tomaz Roque de Oliveira, de 20 anos, era um deles.

O rapaz que é morador do vizinho Morro da Providência estava acompanhado de quatro primas, com idades de dois a dez anos. O jovem que trabalhava como carpinteiro e marceneiro perdeu o emprego durante a pandemia e está se virando como camelô, vendendo bebidas e churrasquinho. Ele também perdeu para a Covid o avô que morava em Petròpolis e que o incentivou na fé ao Santo Guerreiro.

—Sou devoto desde pequeno. Em criança morava em Petrópolis e ia à festa com meu avô que morreu de Covid. Vim pedir proteção para minha família, minha vida e por não ter deixado que nada de muito ruim tenha acontecido comigo — disse o rapaz que depois de rezar entrou na fila de distribuição de quentinhas, pela Fundação Leão XIII.

Ele levou sete quentinhas para casa e disse que vão ajudar bastante, porque a família está passando aperto durante a pandemia. Na mesma casa, segundo ele, moram sete crianças e quatro adultos.

Mesmo sem as festas mais tradicionais que costumam acontecer nesta data, o Dia de São Jorge não ficou sem comemoração. Pela madrugada teve alvorada e queima de fogos em vários pontos da cidade.

A escola de samba Unidos de Padre Miguel realizou uma missa de ação de graças no fim da manhã, com transmissão nas suas redes sociais, para evitar aglomeração. À partir das 20h, a agremiação tramsitirá, também na internet, uma live em homenagem ao santo, com um grande show.

Na Estácio de Sá, também missa, esta presencial, sendo permitida apenas entrada de pessoas usando máscaras, limitação de público e respeito ao distanciamento. Pela manhã teve alvorada e a tradicional queima de fogos. Na Beija-Flor de Nilópolis a tradicional festa do padroeiro foi substituída por uma alvorada de portas fechadas, respeitando dos os protocolos contra a Covid-19

Bares e restaurantes também serviram a tradicional feijoada. Na Casa do Galeto, no Jacaré, e no Velho Adônis, em Benfica, há opção delivery e presencial, com dieito a caipirinha por conta da casa.