Mesmo com juros altos, Itaú melhora previsão de crescimento da economia este ano para 2%

Mesmo com a taxa básica de juros (Selic) em elevação, os bancos continuam revisando para cima sua previsão para a economia brasileira este ano. Os economistas do Itaú elevaram a estimativa de crescimento de 1,6% para 2%. Para 2023, entretanto, com risco de desaceleração global e juros ainda elevados no Brasil, a previsão foi mantida e indica crescimento de 0,2%.

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O economista-chefe do Itaú Mario Mesquita informou, durante apresentação feita no MacroDay, que a alguns dados surpreenderam positivamente, neste primeiro semestre, o que levou o banco a melhorar sua projeção de crescimento. Mesquita explicou que as famílias continuam gastando sua poupança, o que é um estímulo ao PIB.

- Imaginávamos que as famílias estariam mais receosas depois da pandemia, mas elas estão gastando. E mesmo antes dos estímulos dados pelo governo (liberação de FGTS e antecipação de 13º salário) a economia já vinha mais forte com a reabertura - disse Mesquita.

Embora a guerra entre Rússia e Ucrânia seja uma tragédia, ela acaba ajudando países exportadores de commodities (matérias-primas) como o Brasil. Além disso, a política monetária opera com certa defasagem, ou seja, a alta dos juros pode demorar um pouco mais para frear a atividade econômica, afirmou Mesquita.

O economista-chefe do Itaú afirmou que a estimativa é de um crescimento de 0,8% para o segundo trimestre e o dado do setor de serviços, divulgado nesta terça, com avanço de 0,9% em maio, terceira alta em quatro meses, corrobora o viés positivo para o PIB neste ano. Ele lembra que a oferta de emprego também melhorou.

A equipe de economista do Itaú projeta a taxa de juros Selic em 13,75% este ano, o que significa mais um aumento de 0,5 ponto percentual em agosto, com o Banco Central encerrando o ciclo de alta. Para a inflação, o Itaú espera um IPCA de 7,2%, após a redução de impostos, e de 5,6% em 2023.

Mesquita observou que embora a política monetária (alta de juros) trabalhe para frear a economia, a política fiscal, com os estímulos do governo seja com maior gasto ou redução de impostos, vai na direção contrária.

- Talvez isso seja associado à nossa cultura, de esperar muito do estado - afirmou.

BTG também melhora projeção

Outro banco que divulgou projeções mais otimistas para a economia este ano, nesta terça, foi o BTG Pactual. A instituição revisou sua projeção para o PIB de 1,5% para 1,9% este ano, mas piorou a estimativa para 2023, com um crescimento de 0,3%. Antes, a estimativa era de uma expansão de 0,5% da economia no próximo ano.

De acordo com relatório assinado pelo economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, a economia teve um desempenho mais forte no segundo trimestre. Ele lembra que o mercado de trabalho está em plena recuperação. Mas, para o ano que vem, Mansueto lembra que os juros continuarão elevados no país e o mundo passará por uma desaceleração econômica.

"Assim, o maior crescimento deste ano será compensado por um crescimento próximo de 'zero' em 2023, quando teremos o efeito mais forte da política monetária restritiva. A nossa expectativa é que o Banco Central termine o ciclo de aumento da taxa de juros em13,75% na reunião de agosto, mas não descartamos novos aumentos da taxa de juros se não tivermos sinais consistentes ao longo dos próximos meses de redução do crescimento e da inflação esperada para 2023", escreveu o economista.

Incertezas seguem elevadas para o cenário de inflação, diz o BTG, mas o IPCA deverá desacelerar de forma acentuada no curto prazo com a redução de impostos sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações. A previsão do banco para a inflação oficial foi revisada de 8,8% para 7,3% este ano e a de 2023 foi mantida em 5,4%.

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