Mesmo com morte de 3 funcionários, Ministério da Saúde ignora protocolos para covid-19

Redação Notícias
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Prédio do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Ministério da Saúde (Foto: Divulgação)
  • Ministério da Saúde não cumpre protocolos de combate à covid-19

  • Funcionários relatam que não são informados sobre contaminação de colegas

  • Presidente Jair Bolsonaro já reclamou de divulgação de morte de servidores por covid

Servidores do Ministério da Saúde relataram ao jornal Estado de S. Paulo a falta de preocupação da pasta com a proteção dos próprios funcionários no combate contra a pandemia de covid-19. O número de infectados e de vítimas da doença não é informado, por exemplo, para rastrear contato com contaminados, como preconiza os protocolos de prevenção. No máximo, os servidores são liberados para casa a fim de que as salas sejam higienizadas. Mas o trabalho presencial segue mantido.

Cogita-se que os órgãos públicos tenham receio de divulgar informações sobre servidores mortos pela covid, depois que o presidente Jair Bolsonaro demitiu o diretor da Polícia Rodoviária Federal, Adriano Furtado, que divulgou uma nota de pesar por um policial vítima da doença.

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Informações obtidas pelo jornal mostram pelo menos três óbitos de funcionários do Ministério da Saúde apenas este mês.

Gleyber Araújo, de 40 anos, técnico em informática da pasta, morreu no dia 23, por complicações da covid-19. Segundo parentes, mesmo hipertenso e acima do peso, ele trabalhava presencialmente por medo de ser demitido. o técnico era contratado como bolsista, por meio de uma fundação.

As outras duas mortes registradas neste mês pela doença são dos servidores José Ferreira Lopes, de 62 anos, e Doralice de Jesus Magalhães, de 60. Questionado, o ministério confirmou apenas dois óbitos, mas não citou nomes nem respondeu se eles trabalhavam remotamente ou não.

Há quatro anos no ministério, Araújo chegou a trabalhar de forma remota, no começo da pandemia, mas isso não durou muito tempo. “Era bolsista, com vínculo (de emprego) frágil. Com medo de perder o emprego, voltou a trabalhar presencialmente”, disse Aline Oliveira, a viúva, ao Estadão.

“Nas últimas vezes que conversamos, ele falava sobre não esquecer de pegar o atestado, porque tinha muito medo de perder o emprego”, conta Aline. Ele foi internado no dia 8 de março e só conseguiu transferência para uma UTI por decisão judicial. Araújo não resistiu ao agravamento da doença e teve uma parada cardiorrespiratória. Ele tinha duas filhas.

O Ministério da Saúde informou ao jornal, por meio da Lei de Acesso à Informação, em janeiro, ter recebido 228 atestados médicos de servidores com covid-19, mas disse não ter dados sobre internações ou óbitos. Esse número não engloba terceirizados e trabalhadores contratados como bolsistas, maioria na pasta.

Nesta semana, o ministério confirmou duas mortes de servidores ativos, além de nove aposentados. Mas voltou a omitir dados sobre terceirizados, bolsistas e consultores. Ainda deu dados incompletos sobre o número de contaminados: informou só oito casos de 15 a 22 de março, sem dizer o total na pandemia.