Mesmo com o aumento de casos confirmados e mortes pela Covid-19, cresce o número de pessoas em circulação nas ruas

Amanda Pinheiro
Zona Oeste apresenta as menores taxas de idolamento social. Na foto, movimento na feira livre de Campo Grande

O isolamento social adotado em todo o Estado não impediu que milhares de pessoas fossem às ruas neste domingo de Dia das Mães. Apesar do pedido das autoridades para que todos permaneçam em casa, o carioca deu um jeito de sair e, de máscaras, frequentou feiras, mercados, fez exercícios ao ar livre e até comemorações pela data de hoje.

Segundo dados do Centro de Operações Rio, nesta tarde, cerca de 10.530 mil pessoas se movimentaram pelos bairros monitorados. Números que comparados aos dois últimos domingos cresceu bastante. Pois no dia 3 de maio foram 6.240 mil e 26 de abril 7.550 mil pessoas andaram pelas ruas do Rio.

Para Roberto Medronho, professor titular de epidemiologia da UFRJ, o aumento de circulação nas ruas foi principalmente pela data comemorativa do Dia das Mães e algumas campanhas contra o isolamento social.

— As pessoas estão relaxando no pior momomento. E crescimento dessas pessoas na rua, certamente foi pelo dia das mães. Mas não podemos esquecer que circulam diversas notícias falsas sobre os casos e mortes pelo coronavírus, e também tem uma campanha forte contra o isolamento por uma preocupação com a economia. Porém devemos pensar que, o povo saudável terá uma economia saudável e o povo doente não vai consumir. E ainda temos a questão do uso das máscara, as pessoas estão usando achando que não vão ser infectadas. Isso ajuda muito, mas a máscara tem como proteção fundamental evitar que alguém contaminado transmita para o ambiente — afirmou Medronho.

Neste domingo, o Estado do Rio registrou 61 mortes e 133 novos casos confirmados da doença, sendo 34 deles na capital. Também de acordo com dados do governo estadual, ao todo, são 1.714 mortes pela Covid-19 e 17.062 testes. E em contrapartida também houve esse aumento de pessoas nas ruas. O professor afirma que há apenas uma medida para conter efetivamente essa cirulação: lockdown.

— As pessoas estão relaxando nesta fase de crescimento da curva epidêmica e o consequente aumento do número de óbitos. E diversos órgãos se posicionaram favoravelmente sobre o isolamento total. Mas, obviamente, não podemos ser ingênuos. Temos localidades distintas na cidade. E esse trabalho deve ser feito em conjunto com lideranças comunitárias, governantes, igrejas, grupos carnavalescos, todas essas entidades que têm grande influência. E depois do lockdown, fazer a liberação algumas atividades de forma segura.