Mesmo com pandemia, feriadão de 7 de Setembro lota praias e embarcações em Cabo Frio

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Como se a pandemia tivesse acabado, praias e embarcações lotadas marcam o feriadão de 7 de Setembro em Cabo Frio. Moradores usam as redes sociais para reclamar da falta de fiscalização, permitindo que sejam burladas regras estabelecidas pelo município, onde 812 pessoas morreram vítimas da Covid-19. Para alguns, o balneário da Região dos Lagos virou terra de ninguém. Segundo estimativa da Secretaria municipal de Turismo, cerca de 100 mil pessoas estão visitando a cidade neste período.

O portal RLagos chegou a postar vídeo de uma moradora mostrando uma embarcação com pessoas sem máscaras e aglomeradas, em algazarra, saindo do Boulevard Canal, onde atracam os barcos que fazem passeios turísticos. “Flutuando com a morte”, diz o portal. Flagrantes de praias lotadas, especialmente a do Forte e a do Recreio, também foram postadas.

Frequentadores da Praia do Peró, que conquistou a “Bandeira azul” — selo internacional que leva em consideração fatores, como a qualidade da água —, em 500 metros de seus 7,2 quilômetros de extensão, também reclamam. Na semana passada, o grupo Amigos dos Peró se reuniu com secretários municipais para pedir uma maior fiscalização. Na próxima sexta-feira, agendaram encontro com os comandantes da PM e da Guarda Municipal para tratar do policiamento.

— A situação está caótica no Peró. Daqui a pouco perdemos o selo internacional. É música alta, excesso de ambulantes, cachorro na areia, carro e moto transitando pela via da orla (Avenida dos Namorados) que não pode ter trânsito. A prefeitura nos disse que está renovando o contrato com os agentes de posturas. Mas isso tem que ser para ontem — diz o biólogo Octavio Menezes, do Amigos do Peró.

Dono de hotel e pousada em Cabo Frio, Roberto Antunes afirma que, apesar de a prefeitura ter limitado a 80 o número de ônibus de turismo estacionados no município, muitos estão usando um artifício para que os visitantes entrem na cidade:

— Há ônibus que estacionam em São Pedro da Aldeia. De lá, embarcam os turistas em vans e carros de aplicativos. Com isso, o trânsito dentro de Cabo Frio fica caótico.

O excesso de público que chega a Cabo Frio, acrescenta Antunes, é decorrente ainda da falta de fiscalização das casas que recebem hóspedes:

— Por decreto da prefeitura, os hotéis e hostels legalizados só podem ter 70% de ocupação. Mas não fiscalizam as casas, que acabam hospedando muitas pessoas nos quartos.

A prefeitura chegou a dar autorização para o evento particular “Cavalgada 7 de setembro”, no Parque de Exposição de Tamoios, na Fazenda Campos Novos, a ser realizado nesta terça-feira, mesmo sem autorização do Corpo de Bombeiros. O ato foi publicado na edição nº 277 do Diário Oficial do município. Ontem, no entanto, voltou atrás.

Segundo informou a prefeitura por WhatsApp, a cavalgada foi embargada, por “não atender às exigências previstas no Termo de Autorização de Uso”. De acordo com a Procuradoria-Geral do Município, nesta segunda-feira, “o organizador do evento não apresentou o laudo técnico de segurança emitido pelo Corpo de Bombeiros e o contrato com empresa de segurança certificada pela Polícia Federal, entre outros documentos que foram exigidos na autorização anteriormente concedida”.

Já o secretário de Turismo de Cabo Frio, Carlos Cunha, garantiu que a embarcação filmada saindo do cais atendia a lotação permitida pelo município, de 60%:

— Essa embarcação tem capacidade máxima de 250 pessoas. Sessenta por cento, dariam 150. No vídeo, dá para ver que não tinham 150 pessoas a bordo. A Guarda Marítima e Ambiental (grupamento da Guarda Civil Municipal) fez a contagem no momento de embarque dos passageiros.

A prefeitura afirma que para este feriados, as medidas de prevenção e combate à Covid-19 estão previstas no Decreto 6.570/2021. Além de ocupação máxima de 70% nos hotéis e do limite de 80 veículos no Terminal de Ônibus de Turismo, outra medida prevista é a de que bares e restaurantes têm que encerrar as atividades à meia-noite.

De acordo com a prefeitura, “a fiscalização para garantir o cumprimento das medidas previstas no decreto foram intensificadas durante o feriado”. Diz ainda que “os estabelecimentos comerciais que forem flagrados descumprindo as medidas são notificados e podem ter as atividades suspensas ou serem multados".

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