Mesmo com parques fechados, Disney volta a ter lucro graças a streaming e sucessos como 'The Mandalorian' e 'Soul'

O Globo, com agências internacionais
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SAN FRANCISCO EUA — A Walt Disney voltou a registrar lucro no último trimestre de 2020 graças a seu serviço de streaming e a sucessos como "The Mandalorian" e "Soul". O resultado compensa em parte o ano difícil que a gigante do entretenimento acaba de passar devido à pandemia, que forçou o fechamento de seus parques temáticos e cinemas.

A receita trimestral caiu de US$ 20,88 bilhões de uma ano antes para US$ 16,25 bilhões, mas ainda estava acima da estimativa média dos analistas de cerca de US$ 15,93 bilhões, de acordo com dados do IBES da Refinitiv.

O ganho obtido de outubro a dezembro do ano passado superou expectativas, com os investidores negligenciando uma queda de 53% na receita dos parques no período e dando as boas-vindas ao Disney+, que alcançou 94,9 milhões de assinantes. As ações subiram 3,1%, a US$ 194, depois de fecharem em alta nas negociações regulares.

A série "Mandalorian", inspirada em "Star Wars", e o filme "Soul" da Pixar ajudaram a Disney a reduzir a brecha entre a Netflix, líder em serviços de streaming , e suas plataformas lançadas no fim de 2019. Incluindo Hulu e ESPN +, a assinatura de streaming paga da Disney chegou a 146 milhões de assinantes no fim do ano passado. A Netflix recentemente ultrapassou os 200 milhões de usuários em todo o mundo.

— Disney+ tem sido um grande sucesso e é uma prova do valor da marca Disney e experiência em contar histórias— disse o analista da eMarketer, Eric Haggstrom. — Este foi um dos lançamentos de produtos de consumo de maior sucesso na memória recente.

A empresa registrou lucro de 32 centavos por ação de outubro a dezembro. Wall Street esperava uma perda de 41 centavos por ação, de acordo com a previsão média de analistas consultados pela Refinitiv. As ações subiram 3,1% no after market na quinta-feira, a US$ 194, depois de fecharem em alta nas negociações regulares.

— Durante a pandemia, fizemos mudanças significativas enquanto encontramos maneiras novas e inovadoras de conduzir nossos negócios — disse o presidente-executivo Bob Chapek em uma teleconferência com analistas. — Mas, ao mesmo tempo, definimos um curso para um impulso (streaming) ainda mais deliberado e agressivo.

À medida que a pandemia do coronavírus se arrasta, os parques temáticos da Disney na Califórnia, Hong Kong e Paris permanecem fechados e outros têm público limitado para permitir o distanciamento social.

A empresa espera que a Disneylândia, na Califórnia, e a Disney Paris permaneçam fechadas até março, e que seu parque em Hong Kong possa reabrir antes de abril, disse a diretora financeira, Christ/ine McCarthy.

O estúdio de cinema atrasou vários lançamentos importantes porque muitos cinemas permanecem fechados. Embora a empresa tenha transferido alguns filmes para streaming, Chapek disse que a Disney ainda planeja lançar nos cinemas o filme de ação da Marvel "Black Widow" (Viúva Negra, em português). O filme estrelado por Scarlett Johansson está programado para estrear em 7 de maio.

A unidade de distribuição de mídia e entretenimento, que inclui o serviço de streaming, estúdio de cinema e redes de TV tradicionais, registraram lucro operacional de US$ 1,5 bilhão, queda de 2% em relação ao ano anterior.

Na divisão de parques e produtos de consumo, o prejuízo operacional dos negócios atingiu US$ 119 milhões, em comparação com um lucro de US$ 2,52 bilhões um ano antes.

Os fechamentos e operações reduzidas custaram cerca de US$ 2,6 bilhões, estimou a Disney.

Olhando para o futuro, a empresa disse que espera que os custos para cumprir as regulamentações governamentais e implementar medidas de segurança em parques e na produção de TV e filmes cheguem a US$ 1 bilhão no ano fiscal de 2021.

O segmento direto ao consumidor, que abriga o Disney+, relatou um prejuízo operacional de US$ 466 milhões, em comparação com um prejuízo operacional de US$ 1,11 bilhão no mesmo trimestre do ano anterior.