Mesmo com sanções, economia da Rússia está melhor que o esperado, diz FMI

A enxurrada de sanções ocidentais contra a Rússia, encabeçadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE), não terão o impacto esperado na economia do país de Vladimir Putin e em sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta terça-feira. Os países europeus, por sua vez, sofrerão mais que o anteriormente projetado.

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De acordo com o FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia cairá 6% em 2022, bem menos que a contração de 8,5% prevista em abril. No ano que vem, contudo, a previsão é que a economia do país reduza 3,5%, 1,2 ponto percentual a menos que a estimativa de três meses atrás.

"Estima-se que a economia da Rússia tenha contraído menos do que o previsto anteriormente no segundo trimestre, e as exportações de petróleo bruto e produtos não energéticos se mantiveram melhor do que o esperado", disse o relatório.

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O preço do barril do petróleo disparou com a eclosão da invasão russa na Ucrânia, em 24 de fevereiro. Em março, chegou a um pico de quase US$ 129, antes de entrar em um platô na casa de US$ 105 — patamar que ainda assim é alto, considerando que o combustível era negociado a menos de US$ 80 no início do ano.

Por isso, apesar do boicote ocidental e de exportar menos, a Rússia ganha mais com a venda do petróleo do que antes da guerra. Se o produto não pode mais chegar ao seu destino habitual na Europa, a solução foi olhar para o Oriente e remodelar o mercado internacional: China e Índia reduziram as compras de outros fornecedores, como o Irã e países norte-africanos, e aumentaram as importações vindas da Rússia.

Tanto Pequim quanto Nova Délhi evitam culpar a Rússia pelo conflito na Ucrânia e defendem uma solução negociada. Ambos se abstiveram em votações nos organismos das Nações Unidas para condenar as agressões russas e participarão dos exercícios militares conjuntos organizados por Moscou no mês que vem. Há também vários aliados americanos entre os participantes.

Outro alívio do mercado russo vem da demanda interna, que “também apresenta certa resiliência” devido aos esforços para conter o efeito das sanções no setor financeiro nacional, segundo o FMI. O mercado de trabalho também enfraqueceu menos do que o esperado, acrescentou a organização.

Por outro lado, "os efeitos da guerra nas principais economias europeias foram mais negativos do que o esperado”. O FMI projeta que a economia da zona do euro crescerá apenas 2,6% neste ano e 1,2% no ano que vem, reduções de 0,2 e 1,1 ponto percentual em comparação com as projeções de abril.

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A economia alemã deve crescer apenas 1,2% neste ano, menos que os 2,1% previstos em abril. A França, por sua vez, viu sua previsão de crescimento ser reduzida de 2,9% para 2,3%. Já a Espanha passou de 4,8% para 4,0%.

Isso se deve a "preços de energia mais altos, bem como à queda da confiança do consumidor e à desaceleração da atividade manufatureira como resultado das interrupções contínuas na cadeia de suprimentos e do aumento dos custos das matérias-primas".

O preço do gás disparou no continente, aumentando mais de 700% desde o início do ano passado, alta catalisada pelos cortes russos na exportação do combustível para a UE. Antes da invasão, Moscou era responsável por vender cerca de 40% de todo o gás consumido pelo bloco, dependência que deixa vários dos países-membros à beira de uma crise energética.

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A Rússia suspendeu o envio do produto para uma série de Estados que se recusaram a acatar os termos do Kremlin, que demandava pagamentos em rublos. Desde junho, o fluxo no Nord Stream 1, o gasoduto que liga o território russo à Alemanha, está a 40% de sua capacidade, volume que foi mantido após a manutenção de 10 dias chegar ao fim na quinta-feira.

Na segunda, os russos anunciaram que haverá um corte subsequente, alegando problemas técnicos nas turbinas que precisam de manutenção dificultada pelas sanções ocidentais. Preparando-se para a possibilidade de uma interrupção completa, os países europeus chegaram nesta terça a um acordo político para cortar voluntariamente seu consumo de gás em 15% por oito meses, para abastacerem os estoques que esquentarão a região durante o inverno boreal.

Caso as exportações russas sejam suspensas, o racionamento será obrigatório. Segundo o FMI, isso reduziria "significativamente" o crescimento na zona do euro em 2022 e 2023, afetando os principais setores industriais e cortando em mais 1,3 ponto percentual as previsões de crescimento do bloco para o ano que vem.

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