Mesmo com sintomas, moradora da Baixada não consegue fazer teste para coronavírus

Marcos Nunes
Hospital Geral de Nova Iguaçu

RIO - Morando com o marido e dois filhos, de 2 e 5 anos, respectivamente, em uma pequena residência no município de Mesquita, na Baixada Fluminense, uma dona de casa de 22 tenta saber desde terça-feira se está ou não com o coronavírus. Nesta quarta, ela esteve no Hospital Geral de Nova Iguaçu (também conhecido como Hospital da Posse), de onde saiu, segundo a paciente, sem ser medicada e com orientação de procurar o Hospital Salgado Filho, no Méier, a cerca de 37 quilômetros da unidade de saúde da Baixada. Com sintomas como febre, diarreia, enjoo e falta de ar, ela diz não saber o que terá de fazer para ser testada.

— Estou assim desde sábado. Procurei primeiro a UPA de Edson Passos, em Mesquita. Lá, não consegui fazer o teste. Vim aqui na Posse, mas me atenderam só na sala de risco. Disseram que pode ser uma infeção e me mandaram procurar o Hospital Salgado Filho, no Méier. É muito longe pra mim. Vou voltar pra casa — disse.

Procurada, a Prefeitura de Nova Iguaçu, que administra o Hospital da Posse informou que a paciente foi atendida no local e que não foi testada porque apresenta sintomas compatíveis com inflamação na garganta. A mesma nota alega ainda que a jovem foi orientada a procurar uma unidade de baixa complexidade, sem sugerir o nome do hospital Salgado Filho, no Méier, ou de qualquer Unidade de Pronto Atendimento. A sugestão ocorreu porque o Hospital Geral de Nova Iguaçu é uma unidade que tem perfil de atendimentos de casos de trauma, e de média e alta complexidade.

Também, nesta quarta-feira, a Prefeitura de Nova Iguaçu publicou ato, no Diário Oficial, onde decreta emergência no setor de saúde do município. Na prática, a medida permite a compra de medicamentos e equipamentos que poderão ser adquiridos sem necessidade de uma licitação. Procurada para falar sobre o assunto, a Secretaria estadual de Saúde, que administra a UPA de Edson Passos alegou que a paciente passou por uma avaliação e que não foi necessária a realização de testes para coronavírus.

Os quatro maiores municípios da Baixada Fluminense (Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti e Belford Roxo) informaram, nesta quarta-feira, ainda não terem registrado aumento significativo na procura por atendimentos em suas respectivas unidades de saúde de emergência. Em Caxias, pacientes suspeitos atendididos na rede municipal são encaminhados para testagem em um laboratório de referência estadual.

Em São João de Meriti, o município informou que casos suspeitos são encaminhados para UPA do Jardim Íris. Em Belford Roxo, os casos deste tipo são analisados em duas UPAS, no Hospital Municipal e no Hospital Infantil. Já em Nova Iguaçu, em caso de suspeitas, os pacientes são encaminhados para uma UPA e para o Hospital Geral de Nova Iguaçu.