Mesmo em queda, número de migrantes mortos a caminho da Espanha chega a quase mil no 1º semestre de 2022

Pelo menos 978 pessoas morreram ou desapareceram tentando chegar à Espanha pelo mar no primeiro semestre de 2022, ou seja, uma média de cinco por dia, disse a ONG Caminando Fronteras nesta quarta-feira.

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Esse número representa uma queda de quase metade em relação ao mesmo período de 2021, quando foram 2.087, segundo a organização. Isso se explica porque 2021, ano em que as fronteiras foram reabertas após ficarem fechadas pela pandemia de Covid-19, foi particularmente dinâmico em termos de migração, acrescentou a ONG.

Além disso, nos últimos meses, a saída de migrantes da costa marroquina diminuiu após a normalização das relações diplomáticas entre Madri e Rabat, passado quase um ano de crise bilateral.

De acordo com a ONG, que compila seus balanços com base nas ligações de emergência feitas pelos migrantes, ou por suas famílias, a quase totalidade dos corpos (87,83%) não é encontrada. São, então, registrados como desaparecidos.

Entre os identificados, originários de cerca de 20 países africanos, 118 eram mulheres, especificou a Caminando Fronteras.

A grande maioria (800) dos migrantes desapareceu tentando chegar ao arquipélago atlântico das Ilhas Canárias, na costa Noroeste da África. Essa rota particularmente perigosa tem sido mais usada nos últimos anos, devido ao aumento de controles no Mediterrâneo.

As chegadas por via marítima caíram 35,7% entre o primeiro e o segundo trimestres do ano, conforme cálculo da AFP baseado em números do Ministério do Interior espanhol.

Drama em Melilla

Uma outra ONG de defesa dos direitos humanos acusou nesta quarta-feira Marrocos e Espanha de serem responsáveis ​​pelo drama de Melilla no final de junho.

— A tragédia de 24 de junho custou a vida de 27 migrantes devido a uma repressão sem precedentes das autoridades marroquinas com a cumplicidade de seus homólogos espanhóis — denunciou Omar Naji, membro da Associação Marroquina para os Direitos Humanos (AMDH), em entrevista coletiva em Rabat.

Segundo as autoridades marroquinas, os migrantes em situação irregular morreram durante a tentativa de entrada em massa em Melilla.

— Esse é um crime infame, resultado de políticas de imigração mortais — disse Naji.

Em um relatório preliminar, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) — órgão oficial marroquino encarregado de investigar o caso — concluiu que houve morte por “asfixia” dos migrantes.

O CNDH exonerou as forças de segurança marroquinas e culpou as autoridades espanholas que mantiveram o posto fronteiriço fechado.

O caso é o mais sangrento a acontecer durante as muitas tentativas dos migrantes subsaarianos de penetrar em Melilla e no enclave espanhol de Ceuta, as únicas fronteiras terrestres da UE com o continente africano.

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