Mesmo na pandemia, Mureta da Urca tem aglomerações, barulho até de madrugada e lixo acumulado

Larissa Medeiros*
·3 minuto de leitura

A beleza do Cristo Redentor e do pôr do sol ao fundo pode deixar de ser a primeira lembrança que vem à mente quando se pensa na Mureta da Urca. Isso porque os elogios ao local são frequentemente interrompidos por moradores do bairro que lidam com acúmulo de lixo e barulho provocado por frequentadores que, principalmente nos fins de semana, curtem as noites no local em plena pandemia.

A jornaleira e moradora da Urca Sabrina Lirio conta que o pesadelo acontece já há bastante tempo. Para evitar o transtorno com o barulho, ela diz que chegou a solicitar, sem sucesso, o aumento no número de policiais que atuam na região.

— O efetivo normal não é suficiente. É muito falatório e música alta. Já houve situações em que precisaram intervir às 6h por causa de barulho e som alto desde a noite anterior. Pode acabar meia-noite, 3h, 5h. Não tem horário certo — reclama.

Tanto moradores como frequentadores que caminham pela manhã ao longo da Mureta da Urca comentam sobre o acúmulo de sujeira que amanhece na calçada. São garrafas de vidro, espetos de churrasco, copos, sacos plásticos e restos de comida. Sabrina Lirio diz que esse cenário de desordem se repete após cada fim de semana ou feriado com sol.

— A limpeza é realizada duas vezes ao dia, porém a sujeira persiste. Faltam lixeiras no bairro, mas também existe uma dificuldade da própria população que frequenta o local de descartar adequadamente o seu lixo — pontua a moradora.

Quem também se incomoda com a sujeira constante e sente falta de lixeiras é a escritora Andréa Carvalho, que mora em Botafogo e toda semana costuma passear pela Urca. Segundo ela, a paisagem que encontra ao caminhar pela manhã resulta do contraste entre a beleza da paisagem e os detritos jogados na calçada.

— O cenário de sábado e domingo é sempre esse. Os garis trabalham duro, mas no fim de semana seguinte a sujeira se repete. Além disso, o modelo de lixeira da Comlurb não é suficiente para tantas garrafas de vidro descartadas, erroneamente, pelas pessoas. Talvez uma caçamba para vidro ajudasse, mas também não acredito que resolveria completamente o problema — avalia Andréa.

Sabrina reclama do comportamento de consumidores e ambulantes.

— Os bares do bairro são responsáveis pelo lixo que produzem e distribuem lixeiras para evitar que o problema ocorra, mas os ambulantes, não. Além de circularem pela calçada, às vezes ainda ficam parados em áreas que não têm local de descarte. É preciso bom senso — acrescenta.

Em nota, a Comlurb afirma que vai disponibilizar 15 contêineres e programar a instalação de papeleiras em todo o trecho das duas praias e da mureta. Além disso, avisa que dará início a um terceiro turno de varrição, começando à meia-noite. Mas pede à população para efetuar o descarte correto e para cumprir o isolamento durante a pandemia.

Já a Polícia Militar informa que aplica o patrulhamento ostensivo com agentes do 2º BPM (Botafogo) e diz que atua em conjunto com órgãos fiscalizadores de acordo com os decretos estaduais de combate à pandemia.

* Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho

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