Mesmo sem data para desfilar, escolas de samba do Rio já têm enredo

Luana Dandara
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Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, da Viradouro, querem lembrar carnaval de 1919
Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, da Viradouro, querem lembrar carnaval de 1919

Mesmo diante das incertezas geradas pela pandemia e sem qualquer previsão de data para os desfiles, 11 das 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio já escolheram seus enredos para o próximo carnaval. Apenas a Mangueira não definiu o seu. A folia está quase toda planejada, mas um componente ainda não entrou em cena: o otimismo. Para boa parte dos carnavalescos, o público só verá tudo que preparam em 2022 e, até lá, é possível que alguns projetos sejam modificados.

— Estamos seguindo com a parte criativa da festa, trabalhando em casa, porque é o que dá para fazer neste momento, já que o barracão continua parado. Acredito que o próximo carnaval, da forma como o conhecemos, acontecerá só em 2022. No meio do ano que vem, as escolas devem realizar um carnaval comemorativo, para que não passe em branco, mas sem utilizar o enredo proposto — disse Marcus Ferreira, que, com o marido Tarcísio Zanon, planeja o desfile da Viradouro.

A escola de Niterói é a atual campeã e escolheu como enredo o carnaval de 1919, quando os cariocas foram às ruas celebrar o fim da gripe espanhola e da Primeira Guerra Mundial.

Disputas em ‘lives’

Fazer a festa acontecer em julho de 2021 é algo que vem sendo cogitado pelos presidentes das agremiações do Grupo Especial. E, enquanto o carnaval não vem, as escolas programam para janeiro do próximo ano uma maneira diferente de escolher os sambas-enredo: a disputa deverá ser feita por meio de lives nas redes sociais. A Mangueira quer entrar na onda, e se prepara para definir o tema de seu desfile.

— Quero apresentar um grande enredo, que está sendo estruturado para um desfile em meados de 2021, em um modelo de carnaval ainda desconhecido. Contudo, caso nenhum evento seja realizado no próximo ano, não temos o compromisso manter a temática. Afinal, 2022 está é longe demais para ser decidido em 2020 — afirmou Leandro Vieira, carnavalesco da Verde e rosa.

Paulo Barros, da Paraíso do Tuiuti, tem opinião parecida sobre a possibilidade de troca do enredo.

— O fato de a escola já ter escolhido seu enredo não impossibilita uma mudança. E acho muito pouco provável um desfile em 2021, mesmo em outro formato. Não vejo condições. É preciso garantir primeiro a vacinação da população — disse Barros, que planejou o tema “Soltando os bichos”, sobre proteção a animais, para a escola.

Para Gabriel Haddad, que faz dupla com Leonardo Bora na Grande Rio, este não deixa de ser um tempo para aperfeiçoamento da proposta de enredo. A agremiação de Duque de Caxias quer contar a história do orixá Exu no Brasil.

— Quando preparamos esse enredo, pensamos em um carnaval da maneira como estamos acostumados. Será complicado reduzir a temática, caso haja um evento menor em 2022. Não é o que gostaríamos, mas é possível — ponderou Haddad.

Os enredos

Viradouro: “Não há tristeza que pode suportar tanta alegria”

Paraíso do Tuiuti: “Soltando os bichos”

Grande Rio: “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu”

Portela: “Igi Osè Baobá”

São Clemente: “Ubuntu”

Vila Isabel: “Canta, canta minha gente! A Vila é de Martinho!”

Salgueiro: “Resistência”

Mocidade: “Batuque ao caçador”

Unidos da Tijuca: “Wanarã — a reexistência vermelha”

Beija-Flor: “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”

Imperatriz Leopoldinense: Homenagem a Arlindo Rodrigues, ainda sem título