Mesquita tem a primeira unidade exclusiva da Baixada para atender casos de coronavírus

Cíntia Cruz
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Polo de atendimento em Mesquita tem capacidade para 200 atendimentos por dia

Há uma semana, o pintor Márcio Luís Ribeiro, de 41 anos, apresenta tosse, cansaço, falta de ar. Na última terça-feira, começou a ter febre de 38,5º C e cogitou a possibilidade de estar com o novo coronavírus. Morador de Anchieta, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o pintor preferiu buscar atendimento em Mesquita. A cidade inaugurou, na última segunda-feira, um polo de atendimento exclusivo para o Covid-19. A unidade é a primeira da Baixada para atender exclusivamente pacientes com a doença.

— Soube desse polo por um grupo de amigos no WhatsApp. Como achei que estava com a doença, achei melhor vir para cá. O médico acha que é uma pneumonia porque estou com muito carro. Ele passou antibiótico e pediu para eu ficar observando. Se continuar com os sintomas, vou ter que voltar no domingo — contou Márcio, que está isolado em casa:

— Ainda não estou muito tranquilo. Tenho dois filhos, de 9 e 17, que não estão comigo. A mais nova está com a mãe e o mais velho na casa da minha irmã. Tenho que ficar isolado.

Até o início da noite desta quarta-feira, 180 pessoas já haviam sido atendidas na unidade, sendo 12 delas de fora do município, como Márcio. Cinco eram do Rio, três de Nova Iguaçu, duas de Nilópolis, uma de São João de Meriti e uma de Queimados.

Mas a maior procura é de moradores da cidade. Vizinha do polo, a estudante Fernanda Lyra dos Santos, de 24 anos, decidiu procurar atendimento, após três dias com febre, falta de ar, vômito e diarreia.

— Fui orientada a ficar de repouso e tomar um xarope para falta de ar. Fiquei preocupada porque moro com minha tia de 60 anos, que é do grupo de risco do coronavírus. Estou evitando contato com ela — ressaltou Fernanda, que deverá voltar a unidade se continuar com os sintomas.

No polo, que tem capacidade para atender 200 pessoas por dia, as cadeiras reservadas aos pacientes têm distância de 1,5 metro entre elas. O polo é fruto de uma parceria entre a prefeitura e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que enviou técnicos para a unidade. Já os insumos, a estrutura e os profissionais de saúde são oferecidos pelo município, informou a prefeitura.

Por dia, o atendimento é feito por uma equipe com dez profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O paciente passa pela classificação de risco, ganha uma máscara e segue para o atendimento com enfermeiro e médico. No local, o paciente também retira o medicamento na farmácia.

No polo, ficam duas ambulâncias. Em caso de suspeita da doença, o paciente é levado para a UPA de Edson Passos. Se o estado for grave, é feito o teste e ele é imediatamente internado.

— Na segunda-feira, fizemos 44 atendimentos e três pessoas foram encaminhadas para a UPA. Na terça, foram 101 atendimentos e dois levados para a UPA. Aqui no polo, temos uma sala para aqueles pacientes que chegarem com sintomas da doença e em estado grave — explicou Thiago Wendell, consultor de saúde de Mesquita e integrante da equipe de consultoria da Fiocruz.

No município, há 124 suspeitos e nenhum confirmado. Embora a procura ainda esteja tímida na unidade, o prefeito Jorge Miranda disse que a cidade está preparada para quando o número de atendimentos aumentar:

— Nós estamos de olho nessa situação e já temos planos de ampliar esse tipo de estratégia para outros locais de Mesquita. O importante é frisar que o município não deixará de fazer a sua parte, que é de diagnosticar clinicamente, medicar e acompanhar os casos suspeitos. Os casos considerados mais graves serão encaminhados para as unidades estaduais, que realizarão o teste e, caso necessário, regularão para os leitos de retaguarda.

O polo funciona diariamente, das 8h às 20h, e fica na na Avenida União 525, em Santa Terezinha.