Mestre do Sabor: conheça os chefs do Rio na disputa

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Na terceira temporada, o reality culinário Mestre do sabor agita as noites de quinta-feira na TV Globo desde a estreia, dia 6 de maio. Nesta semana, por conta do futebol, o programa vai ao ar hoje, quarta, dia 19 de maio, a partir das 22h30. No primeiro episódio, cozinheiros profissonais de diversas partes do país mostraram seu talento em busca de uma vaga nos times dos três jurados, os chefs Rafa Costa e Silva, Leo Paixão e Kátia Barbosa. Com equipes já formadas - são seis participantes em cada uma -, a última quinta-feira, dia 13, trouxe a primeira eliminação. A mineira Ana Gabi teve um problema com a panela de pressão e não conseguiu concluir seu prato. Como ressaltaram os jurados, cozinhar numa competição na TV envolve uma série de desafios que escapam ao talento.

Muitas vezes, a disputa diante das câmeras pode ser mais estressante do que a dura realidade das cozinhas profissionais. Para evitar a eliminação, é preciso criar o prato a partir de um tema dado e prepará-lo em curto espaço de tempo usando uma cozinha que não é a sua. O resultado para o espectador é um misto de emoção, algumas receitas frustradas e outras esplêndidas, dignas de um Mestre do Sabor. Apresentada pela dupla Claude Troisgros e Batista, esta edição tem quatro cariocas (da gema ou quase) na disputa pelo título.

Veja a seguir quem são os representantes do Rio de Janeiro e saiba onde encontrá-los em ação longe das câmeras

Ana Carolina Garcia, 37 anos.

A escolha do prato na fase classificatória, um khao soi de frango, espécie de lámen tailandês, feito com leite de coco, currry e macarrão de arroz, não foi à toa. Especializada em cozinha do sudeste asiático, a chef, proprietária do restaurante Càm O'n Thai Food, sabia o que estava fazendo.

- Escolhi esse prato porque ele reflete tudo que a culinária tailandesa é, cheia de sabor, texturas e com uma pegada muito forte - afirmou ela, no episódio de estreia, onde garantiu sua vaga no time de Rafa Costa e Silva.

Para quem até dez anos atrás trabalhava como administradora, o grande desafio deverá ser enfrentar cozinheiros com mais tempo de estrada. Para vencê-los, a carioca deverá recorrer às aulas na Le Cordon Bleu de Sidney, uma das filiais da prestigiosa escola de culinária francesa, onde iniciou sua formação, e ao que aprendeu nos restaurantes em que trabalhou na cidade australiana, em Paris e em Los Angeles. Para provar de seu talento, anote aí: a carioca comanda o Càm O'n - Thai Food, projeto que nasceu há 5 anos como uma barraca de comida asiática em feiras gastronômicas e hoje está instalado numa loja na Barra. A salada thai de manga verde com camarão (R$ 49) e o tradicional pad thai (R$ 52 o vegetariano; R$ 61 o de camarão) são ótimas pedidas.

Pedro Franco, 37 anos.

Paulistano filho de carioca, Pedro Franco foi fisgado pelo olhar. Sua mãe tinha um estúdio de fotografia especializado em gastronomia e acompanhar seu trabalho com pratos lindamente montados despertou no rapaz o interesse pela comida. Com formação que inclui temporadas por Itália, França e Califórnia, teve seu talento lapidado no grupo Fasano, onde foi braço direito do chef italiano Luca Gozani até assumir o comando do Crudo, restaurante que funcionou no hotel Fasano Angra. Há pouco mais de um ano, Franco dá expediente no elegante Térèze, restaurante do hotel Santa Teresa, onde associa o frescor da culinária mediterrânea a ingredientes locais, incluindo PANCs (plantas alimentícias não convencionais) colhidas em seu jardim. Um exemplo de seu trabalho foi o prato que escolheu para conquistar uma vaga no Mestre do Sabor, o cru de crustáceos.

- É um prato fresco, leve, e a intenção era impressionar os jurados com a sutileza - explica.

No menu degustação atualmente em cartaz (R$ 249, cinco etapas) no Térèze, Franco homenageia a cozinha nacional com receitas tradicionais reinterpretadas por ele. É o caso da vaca atolada, que se trasnformou num escultural mil-folhas de crocante de aipim com ragu de bochecha. A casa também tem serviço à la carte, onde figuram criações como o arroz caldoso de galinha capirima confit (R$ 82), sua versão da galinhada.

Rafa Ramos, 39 anos.

Carioca do Complexo da Maré, Rafa lembra do tempo que, aos 10 anos, saía para vender os salgados que sua mãe preparava em casa. Seu caminho na cozinha, porém, só começaria a ser trilhado bem mais tarde. Depois de passar por diversos empregos, foi lavar pratos em um restaurante em Botafogo, sua porta de entrada para aquela que seria sua profissão. O interesse o levou a estudar e a trocar a louça pelo fogão em endereços como Nolita e Heat Fire House – a extinta casa de carnes no Leblon. Ele se especializou no american barbecue (o churrasco defumado) e, na pandemia, abriu com amigos a dark kitchen Azzul Colab, que entrega carnes preparadas no pit smoker (a churrasqueira defumadora) e acompanhamentos embalados a vácuo para finalizar em casa. O cupim (R$ 50), que leva doze horas defumando em lenha de macieira, um dos destaques, fica perfeito com salada de batata e pastrami suíno (R$ 35) e farofa de panko com limão-siciliano (R$ 18). Outra boa dica, o brisket (R$ 50), um clássico do churrasco americano, é o peito bovino cozido longamente até desfiar ao toque do garfo. Para chegar à final, Rafa vai recorrer às memórias afetivas e suas raízes brasileiras para impressionar os jurados.

Rodrigo Guimarães, 36 anos.

Um dos dois cariocas no time do conterrâneo Rafa Costa e Silva, Rodrigo Guimarães trabalhou por uma década com o chef Felipe Bronze, sendo por muito tempo o responsável pela excelência da cozinha do Oro, restaurante com duas estrelas (das três máximas) no Guia Michelin. Antes disso, lapidou seu talento em cozinhas renomadas do País Basco, a meca da culinária de vanguarda na primeira década do século XXI, além de ser pós-graduado pelo prestigiado Basque Culinary Center. Entre os concorrentes cariocas, é o que tem a bagagem mais sólida. Na pandemia, Guimarães decidiu apostar no primeiro negócio próprio, o restaurante digital Chef At Home. O cardápio, divulgado às quartas pelas redes sociais, traz sempre um sanduíche, quitutes cheios de bossa, como coxinha de galinha assada em forno a lenha com catupiry para entrada, além de pratos cheios de técnica e deliciosamente preparados. As sugestões, que mudam toda semana, custam R$ 25 (entradas), R$ 60 (pratos principais) ou R$ 20 (sobremesa). A receita que garantiu sua vaga no time de Costa e Silva, um arroz meloso com porquinho e rapadura, é emblemática de seu trabalho.

- É uma receita que gosto de fazer em casa e diz muito sobre mim. Minha cozinha é alegre, de sabores, de cores... Uma cozinha afetiva, que emociona - explicou Rodrigo.

Onde encontrá-los (e provar seus pratos):

Azzul Colab (Rafa Ramos). Somente delivery. Pedidos pelo 98171-2830 ou www.goomer.app/azzul-colab-rj

Càm O'n - Thai Food (Ana Carolina Garcia). Downtown: Avenida das Américas, 500, Bloco 9, Loja 113, Barra – 96966-8448. Ter a Sex., das 11h30 às 15h e 18h às 22h. Sáb. do meio-dia às 16h e das 18h às 22h30. Dom., do meio-dia às 16h.

Chef at Home (Rodrigo Guimarães). Somente delivery. Pedidos pelo Goomer ou pelo WhatsApp 98184-4881. Qua. a dom., das 9h às 18h.

Térèze (Pedro Franco). Hotel Santa Teresa: Rua Felício dos Santos, 15, Santa Teresa – Seg., das 18h às 22h. Qua., do meio-dia às 16h. Qui., do meio-dia às 16h e das 18h às 22h. Sex. e sáb., do meio-dia às 16h e das 18h às 23h. Dom., do meio-dia às 16h e das 18h às 22h.

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