Meta irá permitir mensagens de 'morte a Khamenei'

Conselho de supervisão da Meta aprovou a exceção na regra de proibição a
Conselho de supervisão da Meta aprovou a exceção na regra de proibição a "linguagem de incitação a violência" da empresa (Photo by ROBYN BECK/AFP via Getty Images)
  • Segundo conselho de supervisão, frase deve ser entendida como crítica ao líder iraniano;

  • Empresa já havia permitido o pedido de morte de Vladimir Putin depois do início da guerra na Ucrânia.;

  • Irã passa por protestos desde setembro, após a morte de uma mulher que havia sido presa por usar "trajes inadequados".

O conselho de supervisão da Meta optou por permitir que os usuários das redes sociais da empresa, Facebook e Instagram, utilizem a frase "morte a Khamenei", como forma de criticar o líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

A decisão desta segunda-feira (09) vem em contrariedade à proibição da empresa do uso de linguagem que incite "violência grave". Segundo o conselho de supervisão, a frase é usada com o significado de "abaixo Khamenei", como forma de criticá-lo e pedir sua deposição.

“No contexto do cargo e da situação social, política e linguística mais ampla no Irã, ‘marg bar Khamenei’ deve ser entendido como ‘abaixo’. É um slogan retórico e político, não uma ameaça crível”, disse o conselho. O órgão, que é financiado pela empresa, opera de forma independente à diretoria e ao conselho de administração.

Desde setembro do ano passado o Irã tem passado por diversas manifestações que pedem o afrouxamento das leis islâmicas e da repressão cultural. Os protestos iniciaram após a morte de uma iraniana curda, que foi presa por usar "trajes inadequados", em violação das rígidas regras de vestimenta do país para as mulheres.

Segundo a empresa, é proibido utilizar linguagem que incite a "violência grave" nas redes sociais. No entanto, a Meta afirmou que o time de moderação é treinado para evitar exageros, limitando a aplicação das regras apenas a ameaças críveis.

O cumprimento da regra apenas em casos "críveis" faz com que a medida se torne ambígua, sem muita certeza sobre as situações em que ela se aplica. A Meta também criou uma isenção temporária para que as pessoas possam pedir a morte do presidente russo, Vladimir Putin, na época da invasão da Rússia à Ucrânia. Contudo, após a divulgação desse ato pela mídia, a empresa decidiu reverter sua decisão e voltar a aplicar a regra de linguagem violenta.

Nesta segunda-feira, a empresa também anunciou que está pondo em prática sua regra de proibição de incitação a violência em publicações que apoiem ou exaltem os ataques na Praça dos Três Poderes, em Brasília, realizados por terroristas bolsonaristas neste domingo.