Metade das estrelas parecidas com o Sol podem ter planetas habitáveis

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Desde quando os exoplanetas — planetas que orbitam outras estrelas — foram confirmados pela ciência, a humanidade vem pensando: afinal, quantos deles podem abrigar vida? Ainda não há uma resposta certa para essa pergunta, mas um novo estudo feito por cientistas da NASA, que trabalharam na missão Kepler, nos deixa mais perto da resposta: possivelmente, metade das estrelas com temperatura semelhante à do Sol poderia ter, em sua órbita, um planeta rochoso com água líquida em sua superfície.

Para o estudo, foram utilizados dados do telescópio espacial Kepler, que foi aposentado em 2018. Nisso, nove anos das observações feitas pelo telescópio revelaram que existem bilhões de planetas em nossa galáxia — tanto que há mais deles do que as estrelas, e os dados indicam que a Via Láctea possui cerca de 300 milhões de mundos potencialmente habitáveis, sendo que alguns candidatos podem estar a 30 anos-luz do Sol, enquanto o mais próximo possivelmente está a 20 anos-luz de distância de nós.

Representação do Kepler-186f, o primeiro planeta com tamanho da Terra validado que orbita uma estrela na zona habitável (Imagem: Reprodução/NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle)
Representação do Kepler-186f, o primeiro planeta com tamanho da Terra validado que orbita uma estrela na zona habitável (Imagem: Reprodução/NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle)

Os cientistas fizeram combinações dos dados de sinais planetários do Kepler com dados da energia das estrelas obtidos pela missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA). A Gaia coletou informações sobre a quantidade de energia que um planeta recebe de sua estrela com base na energia total emitida durante determinado período. O efeito exato disso ainda está sendo estudo, mas em uma estimativa conservadora do efeito da luz na atmosfera, metade das estrelas semelhantes ao sol teriam planetas rochosos que possam ter água líquida na superfície. Assim, os cientistas puderam direcionar a análise incluindo a diversidade das estrelas e dos sistemas solares na Via Láctea.

"O Kepler já nos mostrou que existem bilhões de planetas, mas agora sabemos que a maior parte deles pode ser rochosa e habitável", diz Steve Bryson, principal autor do estudo. Ele ressalta que esse resultado não é uma definição final, e que a água é apenas um dos vários fatores necessários para a ocorrência da vida. Mesmo assim, a precisão da descoberta é incrível: para calcular a taxa de ocorrência, a equipe observou exoplanetas com raios equivalentes entre 0,5 e 1,5 vezes o raio da Terra, e filtrou os que provavelmente são rochosos. Além disso, eles também focaram nas estrelas que têm idade e temperatura similares ao Sol.

No fim, isso nos dá diferentes estrelas com características variadas que influenciam a capacidade de os planetas terem água em estado líquido. É complexo, mas isso mostra o motivo de ser tão difícil de calcular quantos planetas potencialmente habitáveis existem. Mesmo assim, essa descoberta é um passo importante para entendermos quantos desses mundos existem em nossa galáxia; estimativas anteriores da taxa de ocorrência dos planetas não consideravam a relação entre a temperatura da estrela e os tipos de luz fornecida e absorvidas pelo planeta. Essa nova análise inclui essas relações e dá um entendimento mais completo da capacidade de um planeta ter água líquida.

Não é a primeira vez que os dados do Kepler resultam em descobertas mesmo após o encerramento de suas atividades; no início do ano, um planeta com tamanho semelhante ao da Terra foi descoberto em meio aos dados da missão. Os resultados surpreendentes deste estudo foram produzidos com base em um grande trabalho de análise dos dados do Kepler, e constrói as bases para futuras observações de exoplanetas com a frequência que esperamos destes mundos rochosos e potencialmente habitáveis. Agora, para futuros estudos, os dados serão refinados e deverão informar as chances de encontrar esses planetas além de alimentar os planos das próximas etapas da busca por exoplanetas.

O estudo será publicado na revista The Astronomical Journal e já pode ser acessado no repositório arXiv.

Fonte: Canaltech

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