Metade das mulheres não conhece um dos principais sintomas do câncer de ovário

 

O inchaço persistente precisa ser avaliado por um médico. (Foto: Getty Images)

As mulheres costumam culpar seus hábitos alimentares quando estão se sentindo inchadas, em vez de marcar uma consulta médica para avaliar o sintoma, um dos mais importantes para detectar um câncer de ovário. É o que afirma um novo estudo britânico, conduzido pelo Target Ovarian Cancer.

O estudo descobriu que, ao identificar um inchaço persistente, 50% das mulheres alteram sua dieta, consumindo mais iogurtes ricos em probióticos ou cortando o glúten. Apenas pouco mais de um terço delas ficaria suficientemente preocupada a ponto de agendar uma consulta médica.

Uma pesquisa anterior, do Target Ovarian Cancer, também mostrou que apenas uma em cada cinco mulheres sabe que o inchaço persistente pode ser um sintoma de câncer de ovário, fato classificado pela organização como “uma taxa preocupantemente baixa de conscientização”.

O câncer de ovário – quinto responsável por mais mortes entre as mulheres, de acordo com a American Cancer Society (ACS) – é difícil de identificar precocemente, por várias razões. “Os sintomas não são específicos e podem ser facilmente ignorados,” disse Stephanie V. Blank, médica e professora de oncologia ginecológica na Escola de Medicina Icahn em Mount Sinai, Nova Iorque, ao Yahoo Lifestyle. “O câncer de ovário não costuma causar sintomas notáveis antes de se espalhar, e não há um exame eficaz para detectá-lo”.

Como os indícios da doença são sutis, apenas cerca de 19% dos casos de câncer de ovário são diagnosticados nos estágios iniciais, segundo o National Ovarian Cancer Coalition (NOCC). “Os sintomas geralmente surgem nos estágios mais avançados, quando o crescimento do tumor pressiona a bexiga e o reto, e o fluido começa a se formar,” afirma a organização.

É por isso que é importante não ignorar alguns sintomas, como o inchaço, que não desaparece. Conforme a NOCC ressalta, “a persistência dos sintomas é a chave”.

Além do inchaço, e também de acordo com a NOCC, outros sintomas incluem dor abdominal ou pélvica, dificuldade para comer, sentir-se satisfeita muito rapidamente, e necessidade de urinar com frequência ou com uma urgência maior.

É claro que o fato de estar inchada não significa necessariamente que você tem um câncer de ovário. Então, como as mulheres podem avaliar seu risco pessoal de desenvolver a doença?

“A melhor maneira de determinar se você tem um maior risco genético de desenvolver um câncer, é conhecer seu histórico familiar e discuti-lo com seu médico,” diz Blank. Alguns fatores, como a idade (metade de todos os casos de câncer de ovário ocorrem em mulheres com 63 anos ou mais, de acordo com a ACS) e o histórico familiar de câncer de ovário, mama ou intestino podem aumentar o seu próprio risco, enquanto outros aspectos – como ter um filho antes dos 26 anos e tomar contraceptivos orais – ajudam a reduzir o risco de desenvolver a doença.

“Se você tem um risco genético alto, pode tomar medidas para prevenir o câncer e salvar a sua vida,” diz Blank. “Dito isso, é importante ressaltar que a maioria das mulheres que desenvolve o câncer de ovário não tem um histórico familiar de câncer. Portanto, não ter casos de câncer na família não significa que você não terá câncer de ovário”.

Mais um motivo para ficar atenta aos sinais persistentes do seu corpo.

Rachel Grumman Bender