Metade dos brasileiros acreditam que Brasil tem muita chance de hexa, mostra Ipec; torcedores atualizam tradições

A nove dias do início da Copa do Mundo do Catar e com a seleção brasileira já convocada pelo técnico Tite, a empolgação com a competição e com a equipe é difícil de ser percebida de forma sólida pelas ruas, enquanto bandeiras do país ainda se confundem com as estendidas durante o recente e polarizado processo eleitoral. Mas pesquisa exclusiva divulgada pelo Ipec mostra que o “clima de copa” está no ar, e com otimismo em relação à seleção brasileira: dos entrevistados, 69% afirmam estar empolgados em algum nível com a seleção, enquanto 80% acreditam, também em algum nível, em chances de título — 50%, inclusive, aposta em “muitas chances” de ver o hexacampeonato acontecer.

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A pesquisa foi feita com 2 mil entrevistas presenciais entre os dias 3 e 8 de novembro em 128 cidades. Ou seja, uma parte menor da amostra foi entrevistada após a convocação, no dia 7. O estudo revela ainda que 25% dos entrevistados se dizem “desanimados” com a competição.

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Os comércios, especialmente aquelas de vestuário, já tentam embarcar na competição com peças voltadas às cores da Amarelinha. O velho costume de enfeitar as ruas, resgatado das memórias com carinho nas redes sociais, tem dificuldade de ganhar adeptos. Mas aqueles que se empenham no processo garantem que vale a pena:

— Sou apaixonada pela Copa e pela tradição carioca de pintar rua e colocar bandeiras — conta a aposentada Sandra Oliveira, moradora do bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Nascida em Ribeirão Preto (SP) e no Rio há 35 anos, Sandra e a família costumam frequentar Copas do Mundo in loco desde o mundial da África do Sul, em 2010. Para o torneio do Catar, a ideia é enfeitar a porta de seu condomínio, na torcida para encantar as novas gerações.

— A galera para quem a gente dedica isso, os mais novinhos, são muito diferentes, são mais ligados em tecnologia. Quando começar, eles vão se animar. Mesmo que ninguém se anime, eu vou estar feliz — diz ela, que gostou da convocação de Tite, com ressalvas para o alto número de atacantes em relação a zagueiros, além da convocação de Daniel Alves — que ela espera que surpreenda como o experiente Branco em 1994.

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Casimiro e Luva

Quem está a ajudando na pintura é a “Galera da Pereira Nunes", grupo organizado que enfeita a rua de mesmo nome, em Vila Isabel, desde 1982. Para cativar na decoração deste ano, eles apostam em retratar figuras públicas que exaltam a torcida pela seleção nas redes, como os humoristas e influenciadores Casimiro Miguel e Luva de Pedreiro, além de jogadores populares também no ambiente virtual, como Richarlison e Vinicius Junior.

— A gente tem seguir o que é mais atual. Não adianta pintar o que tinha antes e cair na mesmice — diz o empresário Celso Mendes, que administra o grupo desde 1994. Ele ainda vê o clima “frio”, mas ressalta a tradição e a vontade de reunir o bairro, até mesmo para assistir aos jogos.

Na pesquisa do Ipec, 44% dos entrevistados dizem ter planos para assistir às partidas do Brasil, enquanto 31% pretendem acompanhar o máximo de jogos que puder.

— Os moradores ficam desanimados no começo, mas a gente coloca uma tinta aqui e outra ali e começa a descer todo mundo. Crianças, idosos — conta Raphael Ozório, estudante e membro do grupo. Ele admite que as tensões da eleição atrasaram a empolgação pela Copa, dado o uso frequente dos símbolos da seleção brasileira por eleitores do candidato derrotado, o presidente Jair Bolsonaro.

— Estávamos esperando acabar (a eleição). Como a rua não tem política, a gente faz pelo futebol, agora que acabou o pessoal tem se animado muito mais. — diz.

Para o cabeleireiro Leandro Felipe, que trabalha na rua, a aposta é que a equipe de Tite mude o ânimo da população.

— Confiança total, somos a primeira seleção do ranking (da Fifa). Mas independente da confiança na seleção é a alegria. Estamos precisando. Passamos por muita tensão, pandemia, eleição. O povo está precisando dessa alegria.