Metade dos brasileiros avalia que atos do 7 de Setembro foram menores do que o esperado

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SAO PAULO, BRAZIL - SEPTEMBER 07: Supporters of President of Brazil Jair Bolsonaro gather as they wave flags during a demonstration during Brazil's Independence Day at Paulista Avenue on September 07, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Brazilians have taken the streets as they commemorate their Independence Day to show both support and rejection for Jair Bolsonaro's administration. (Photo by Cristina Szucinski/Anadolu Agency via Getty Images)
Ato na Avenida Paulista reuniu 125 mil pessoas, segundo a PM de São Paulo (Foto: Cristina Szucinski/Anadolu Agency via Getty Images)
  • Metade dos brasileiros afirmam que manifestações de 7 de setembro tivera público abaixo do esperado

  • Apenas 6% acharam os atos pró-Bolsonaro maiores que a expectativa

  • 59% dos brasileiros não concordam com as pautas das manifestações de 7 de setembro

Para 48% dos brasileiros, os atos realizados pelos apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) no 7 de setembro foram menores do que o esperado. É o que mostra um levantamento pelo Instituto Ideia, relevado pela revista Exame. 

Ao mesmo tempo, apenas 6% das pessoas ouvidas acharam que as manifestações foram maiores que a expectativa. Na cidade de São Paulo, na Avenida Paulista, a Polícia Militar estima que 125 mil pessoas tenham comparecido ao ato. A PM do Distrito Federal estima que na Esplanada dos Ministérios tenham comparecido cerca de 105 mil pessoas.

O levantamento questionou "qual o tamanho das manifestações de 7 de setembro": 

  • Maiores que sua expectativa: 6%

  • Menores que sua expectativa: 48%

  • Não tem opinião: 46% 

Outro ponto levantado pela pesquisa do Instituto Ideia foram as pautas das manifestações. O índice de pessoas que concordam com os temas levantados nos atos de 7 de setembro é o mesmo dos que avaliaram as manifestações como maior que o esperado: 6%. 

A pesquisa questionou se "as pautas das manifestações de 7 de setembro foram importantes": 

  • Concorda: 6%

  • Discorda: 59%

  • Não tem opinião: 35% 

Entre os principais temas tratados nas manifestações, inclusive pelo presidente, estavam críticas ao Supremo Tribunal Federal e o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral. 

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A pesquisa ouviu 1.523 brasileiros no dia 8 de setembro e a margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. 

Discurso de Bolsonaro no 7 de setembro 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou na Avenida Paulista na tarde desta terça-feira (7). O principal alvo foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. "Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede pra sair", disse Bolsonaro. "A paciência do povo já se esgotou."

Bolsonaro, eleito diversas vezes por meio das urnas eletrônicas, voltou a criticar o sistema de votação utilizado no país e também atacou o ministro Luís Roberto Barroso. "Nós acreditamos e queremos a democracia. A alma da democracia é voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não traz qualquer segurança. E dizer que não é uma pessoa no TSE que vai nos dizer que esse processo é confiável e seguro."

"Não podemos admitir um ministro do TSE também, usando sua caneta, desmonetizar páginas que criticam esse sistema de votação. Queremos eleições limpas com voto auditável e contagem pública dos votos. Não podemos ter eleições que pairem dúvidas sobre os eleitores", pediu. Bolsonaro enviou à Câmara dos Deputados uma PEC para instaurar o voto impresso, mas a medida não passou.

"Não vamos aceitar que pessoas como Alexandre de Moraes continua a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa constituição", disse o presidente. Ele reclamou da determinação de Moraes de mandar prender Jason Miller, ex-assessor de Trump, ouvido no inquérito dos atos antidemocráticos. "Saia Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha. Deixe de oprimir o povo brasileiro e censurar os seus adversários."

Recuo dois dias depois 

Na última quinta-feira (9), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recuou e, em nota oficial, pregou harmonia entre os poderes da República.

Dois dias depois de dizer que não respeitaria mais as ordens dadas por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de agredir outros poderes. Agora, o presidente atribuiu os ataques ao "calor do momento".

"A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", declarou. A nota foi escrita com ajuda do ex-presidente Michel Temer

Bolsonaro comentou especificamente a questão de Moraes e disse que entende que os conflitos são resultado das decisões do ministro tomadas no âmbito do inquérito das fake news. "Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de 'esticar a corda', a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum."

Leia a nota na íntegra:

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

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