Metade dos habitantes da capital ucraniana continua sem eletricidade

Cerca de metade dos habitantes de Kiev continua sem energia elétrica nesta sexta-feira (25), dois dias depois que a Rússia voltou a bombardear infraestruturas estratégicas e deixou milhões de ucranianos sem luz em meio ao frio.

A estratégia de Moscou de bombardear a infraestrutura energética, implementada a partir de outubro após vários reveses militares, foi denunciada como "crime de guerra" pelos aliados ocidentais da Ucrânia e como "crime contra a humanidade" pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky.

Nesta sexta-feira, engenheiros ucranianos continuavam consertando os danos causados pelos bombardeios russos de quarta-feira, que deixaram milhões de habitantes sem eletricidade durante toda a quinta-feira, especialmente na capital.

"Um terço das casas em Kiev já tem aquecimento, especialistas continuam restabelecendo o fornecimento na capital. Metade dos consumidores ainda está sem eletricidade", informou o prefeito da capital, Vitali Klitschko.

"Ao longo do dia, as empresas de energia planejam conectar a eletricidade de todos os consumidores em alternância", acrescentou, à medida que a temperatura se aproxima de 0ºC.

O presidente do conselho de administração da operadora nacional de eletricidade Ukrenergo, Volodimir Kudriski, considerou que o sistema energético ucraniano "passou pelo momento mais difícil" após o ataque.

A eletricidade foi parcialmente restaurada nas regiões ucranianas e "o sistema de energia está conectado novamente ao sistema de energia da União Europeia", informou.

"Depois dos bombardeios russos, o sistema foi destruído, mas foi restaurado em 24 horas", afirmou o assessor presidencial Mikhailo Podoliak.

"Sim, é uma situação difícil e sim, isso pode acontecer novamente. Mas a Ucrânia consegue enfrentar isso", acrescentou na televisão.

Diante dos ataques russos, os aliados ocidentais de Kiev forneceram sistemas de defesa antiaérea, mas o governo ucraniano pode precisar de mais para lidar com os mísseis e drones de Moscou.

- "É a nossa vida" -

Nesta sexta-feira, o ministro britânico das Relações Exteriores, James Cleverly, em visita a Kiev, anunciou mais ajuda aos ucranianos e "apoio" aos "sobreviventes da violência sexual cometida pelo exército russo".

"O Reino Unido está do lado da Ucrânia", afirmou Cleverly, cuja visita ocorreu menos de uma semana após a do primeiro-ministro Rishi Sunak, que anunciou ajuda militar de quase 60 milhões de euros (cerca de 62,4 milhões de dólares).

Os cortes de energia na quinta-feira forçaram uma clínica veterinária no norte de Kiev a operar um cachorro no escuro.

"Estávamos no meio de uma operação e as luzes se apagaram porque um foguete caiu nas proximidades, então houve um apagão. Tive que terminar a operação com uma lanterna", contou Oleksii Yankovenko à AFP.

Albina Bilogub, moradora da capital que ficou sem gás e aquecimento, explicou que seus filhos estão dormindo juntos no mesmo quarto para se aquecer.

"Esta é a nossa vida. Um suéter, outro suéter e mais um. É assim que vivemos agora", disse ela.

Nesta sexta-feira, filas de veículos se formaram para reabastecer em vários postos de gasolina em Kiev, notaram jornalistas da AFP.

Nos bairros da capital, a rede de telefonia móvel ainda não funcionava bem.

Por sua vez, a Rússia garante que visa apenas a infraestrutura militar e acusou a defesa antiaérea ucraniana dos apagões.

O Kremlin sustenta que a Ucrânia poderia acabar com o sofrimento de sua população se concordasse com as exigências da Rússia.

Na linha de frente, os combates continuam em várias áreas.

Na noite de quinta-feira, um bombardeio russo na cidade de Kherson, no sul, de onde as tropas de Moscou se retiraram há duas semanas, causou 11 mortes e quase 50 feridos, segundo a Presidência ucraniana.

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