Mais da metade dos trabalhadores do mundo podem perder meios de subsistência, segundo OIT

Por Agnès PEDRERO
Pessoas sem-teto em abrigo temporário durante toque de recolher parcial ordenado pelo governo para ajudar a combater a propagação do novo coronavírus, na Cidade da Guatemala em 28 de abril de 2020

Mais da metade dos 3,3 bilhões de trabalhadores no mundo corre o risco de perder seu sustento durante o segundo trimestre devido à pandemia de coronavírus, alertou nesta quarta-feira (29) a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O diretor-geral da OIT, Guy Ryder, apresentou um novo estudo sobre as consequências econômicas do confinamento devido à pandemia de coronavírus, dizendo que é esperado um "enorme impacto na pobreza".

Três quartos dos trabalhadores informais, ou 1,6 bilhão de pessoas, enfrentam o "perigo imediato de que seus meios de subsistência sejam destruídos", alerta a OIT, acrescentando que quase todos trabalham em unidades com menos de 10 funcionários.

Embora essas pessoas estejam entre as mais vulneráveis do mercado de trabalho, "todos devemos pensar no sofrimento humano por trás desse número", disse Ryder, especificando que essas previsões se referem ao segundo trimestre.

No primeiro mês da crise, a renda dos trabalhadores informais caiu 60% em todo o mundo. A queda foi de 81% na África e América, 21,6% na zona Ásia-Pacífico e 70% na Europa e Ásia Central.

Sem fontes alternativas de renda, esses trabalhadores e suas famílias não terão meios de subsistência.

"Milhões de empresas em todo o mundo têm problemas para se manter. Elas não têm poupança ou não têm acesso ao crédito. Essa é a realidade que o mundo do trabalho enfrenta. Se não as ajudarmos agora, desaparecerão", disse Ryder em uma declaração.

Segundo o informe, a proporção de trabalhadores que vivem em países onde o fechamento de locais de trabalho é recomendado ou obrigatório caiu de 81% para 68% nas últimas duas semanas, principalmente devido ao levantamento de restrições na China.

Segundo as estimativas da OIT, no primeiro trimestre, as horas de trabalho em todo o mundo diminuíram 4,5% (equivalente a cerca de 130 milhões de empregos em período integral, com base em uma duração semanal de 48 horas) em comparação com o quarto trimestre de 2019.

Espera-se que a situação piore ainda mais no segundo trimestre, devido ao prolongamento e expansão das medidas de contenção.

Durante esse período, a OIT estima que o total de horas de trabalho no mundo seja 10,5% menor do que no trimestre anterior à crise.

Essa queda equivale a 305 milhões de empregos em período integral, o que representa uma clara deterioração em relação à estimativa anterior de 195 milhões, publicada há duas semanas.

Embora a situação tenha piorado em todas as regiões, as estimativas indicam que a América (-12,4%), a Europa (-11,8%) e a Ásia Central (também -11,8%) sofrerão a maior perda de horas de trabalho neste segundo trimestre.

Segundo a OIT, os setores mais afetados pela paralisia econômica são acomodações e serviços de alimentação, indústria, comércio atacadista e varejista, atividades habitacionais e comerciais.