'Metade de mim se foi', diz filha de morto por Covid-19 que aguardava leito em UPA na Zona Norte

RIO - "Meu pai, eterno amigo, confidente, meu fechamento". Metade de mim se foi, mas prometo que toda minha vitória será dedicada inteiramente a você, meu irmão e minha mãe. Te amarei eternamente". Foi com essa declaração nas redes sociais que a bióloga Marcela Mitidieri homenageou o pai, morto pela Covid-19 na última segunda-feira. De acordo com o G1, Marcelo Mitidieri, de 48 anos, estava em uma cadeira na UPA do Engenho de Dentro, na Zona Norte, aguardando um leito com respirador.

Marcelo seria tranferido para outra unidade de saúde do Rio, mas não deu tempo. Ainda de acordo com o G1, Marcela fez um desabafo logo após a morte do pai, onde critica o sistema público de saúde do Rio. “Se eles tivessem entubado antes, talvez ele estivesse aqui agora, né? Não vou ficar pensando nisso, porque ele já se foi. Então, divulga, mostra o que tá acontecendo de verdade, que o sistema está em colapso”.

E Marcelo não foi o único a morrer aguardando uma vaga em UTI. Pedro Bezerra Costa, de 63 anos, morreu numa cadeira na madrugada desta terça-feira na UPA da Tijuca, também na Zona Norte do Rio. O aposentado procurou a unidade de saúde, pela primeira vez, há pouco mais de uma semana relatando falta de ar e muita tosse. Entretanto, segundo familiares, foi orientado a voltar para casa. No sábado, ele piorou e voltou à UPA. Horas depois foi entubado, mas morreu na madrugada seguinte.

Até a tarde desta segunda-feira, 326 pacientes estavam à espera por leitos de UTI, de acordo com a Secretaria estadual de Saúde (SES). Com exceção do Hospital Regional Zilda Arns, em Volta Redonda, todos os outros leitos da rede estadual destinados para o tratamento do novo coronavírus já estão ocupados.

Nesta terça-feira, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou que está elaborando um documento para encaminhar aos gestores de saúde — no caso, as secretarias municipais e estadual —, com uma recomendação cobrando por melhoria no canal de informação entre os hospitais públicos da rede e familiares de pacientes internados.

A Secretaria estadual de Saúde do Rio não se pronunciou sobre a morte de Marcelo.