Meteorito de 4,6 bilhões de anos pode revelar a origem da água na Terra

Meteorito de Winchcombe está disposto em exibição no Museu de História Natural em Londres (Chris Jackson/Getty Images)
Meteorito de Winchcombe está disposto em exibição no Museu de História Natural em Londres (Chris Jackson/Getty Images)
  • Proporção de isótopos de hidrogênio é a mesma encontrada nos oceanos terrestres;

  • Meteorito de Winchcombe tem cerca de 4,6 bilhões de anos;

  • Rocha espacial tem origem da órbita de Júpiter.

Um meteorito que caiu em uma garagem no Reino Unido pode ajudar a resolver um dos grandes mistérios da história do planeta Terra: de onde veio a água?

A rocha espacial, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos, caiu em frente à casa de uma família inglesa na cidade de Winchcombe em fevereiro de 2021. A água encontrada no meteorito possui uma composição química muito semelhante àquela encontrada na Terra, o que dá credibilidade à teoria de que a água do nosso planeta veio de um impacto de um asteroide.

De acordo com os cientistas, a presença da água é na Terra é um grande mistério porque quando os planetas rochosos se formaram, no início do sistema solar, eles se encontravam muito perto do Sol para que os oceanos se formassem, o que faz da jovem Terra um planeta árido e inóspito.

Isso teria mudado após a Terra esfriar e uma enxurrada de asteroides vagantes pelo sistema solar se colidirem com o planeta e trazerem água congelada, que se derreteu e se transformou nos oceanos. A análise do meteorito de Winchcombe dá peso a essa teoria.

"Uma das maiores perguntas feitas à comunidade científica é: como chegamos aqui?" estudo co-autor Luke Daly, um professor de geociência planetária na Universidade de Glasgow, disse em um comunicado.

"Esta análise do meteorito Winchcombe dá uma ideia de como a Terra veio a ter água - a fonte de tanta vida. Os pesquisadores continuarão a trabalhar neste espécime nos próximos anos, desvendando mais segredos sobre as origens do nosso sistema solar."

A rocha espacial foi coletada apenas algumas horas depois de se chocar contra o solo e, por isso, permaneceu praticamente não contaminada, sendo classificada como "um dos meteoritos mais primitivos disponíveis para análise" e que oferece "um vislumbre tentador de volta no tempo para a composição original do sistema solar", afirmou o principal autor Ashley King, pesquisador do Museu de História Natural de Londres.

Para analisar os minerais e elementos dentro da rocha, os pesquisadores a poliram, aqueceram e bombardearam com raios X e lasers, revelando que ela veio de um asteroide em órbita de Júpiter e que 11% da massa do meteorito era água.

Nas análises descobriu-se que o hidrogênio da rocha veio em duas formas, hidrogênio normal e um isótipo conhecido como deutério, ou água pesada. A proporção entre esses dois tipos é praticamente a mesma da água encontrada na Terra, o que implica fortemente que a água do meteorito e a do nosso planeta compartilham o mesmo ponto de origem.

Mais importante ainda, aminoácidos, os blocos de construção das proteínas e, consequentemente, das formas de vida, também foram encontradas na rocha. Para expandir essas pesquisas, os cientistas devem analisar outras rochas espaciais voando sobre o sistema solar, como o asteroide Ryugu.