Meu domingo: protestos pelo Brasil, meus novos discos raros, “heavy metal” e Dilma Rousseff como um cadáver político por quem ninguém chora

Não tive a menor vontade de participar dos protestos de ontem na Avenida Paulista. Os motivos foram vários: desalento em relação ao clima de “Grenal” que impera nas discussões políticas no Brasil, desacordo moral em relação às tentativas de outros partidos em aproveitar a onda e posarem como “paladinos da honestidade e competência” quando na verdade todos não passam de agremiações de larápios – com raríssimas e honrosas exceções – e por saber que poderia fazer parte de um evento em que Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Marcos Feliciano poderiam aparecer juntos. Minha querida e saudosa mãezinha – a maravilhosa Dona Irene – sempre me ensinou a jamais andar em más companhias. Não seria agora que eu iria desobedecê-la, né?

Outra coisa que me desanimou foi a possibilidade de um grande número de militantes do PT aparecer para estragar o lance com confrontos que certamente levariam a uma pancadaria generalizada. Lamento, mas sou muito velho para participar de briga de rua. Por conta de uma luz de sabedoria vinda dos céus, os “camisetas vermelhas” e seus simpatizantes – que chegaram a organizar uma manifestação na região da Praça Roosevelt batizada com o inacreditável título “Sem Medo de Ser Feliz” - optaram por cancelar tudo não tomarem uma surra homérica, já que certamente estariam em menor número e aí poderiam até acontecer mortes, uma tragédia.

Não estava a fim de ser cúmplice disto. Fui comprar LPs raros em uma feira de discos, como o inacreditável e ótimo autointitulado álbum de estreia do Blackjack, de 1979, a banda que reunia o vocalista Michael Bolton (sim, ele mesmo!), o guitarrista Bruce Kulick (sim, aquele mesmo ex-integrante do Kiss), o baixista Jimmy Haslip (sim, aquele mesmo do grupo fusion Yellowjackets) e o baterista (sim, aquele mesmo que anos depois foi tocar o genial guitarrista Pat Travers) -, com a raríssima capa em formato de caixa de baralho. Andava há décadas atrás dele!

Depois fui com amigos assistir aos shows do Tygers of Pan Tang e Picture, reunidos em um mesmo evento para que despertassem a minha memória afetiva de uma época em que presenciei a chegada da New Wave of British Heavy Metal aqui no Brasil. Como? Não sabe do se trata? Então assista e ouça abaixo:

Lendo as notícias hoje pela manhã, fiquei feliz pelo fato de não ter rolado nenhuma confusão, a não ser para aproveitadores como Aécio Neves e o nosso governador Geraldo Alckmin, que ainda não entenderam que a revolta da população também se estende a eles e ao tipo de “política” que ainda praticam contando com a nossa criminosa tolerância. Ambos escaparam juntos de apanhar da multidão por seus seguranças e tiveram que sair correndo meia hora depois de chegarem na Avenida Paulista. João Dória, que almeja o cargo de prefeito em São Paulo, também foi sumariamente barrado.

É sério: muita gente estava com medo de que começasse uma “batalha campal” que se tornasse o ‘marco zero’ de uma guerra civil no Brasil. Fiquem tranquilos, não vai rolar. Deixemos este clima para que os advogados e juristas que debaterão se Lula e mais uma corja de desonestos devem ou não tomar café em caneca enferrujada na prisão.

Com tudo o que aconteceu ontem – e também com o que NÃO aconteceu -, ficou tudo muito claro: Dilma Rousseff é hoje um cadáver político por quem ninguém quer chorar. Não há como dar uma reviravolta em sua situação como mandatária da Nação. Ela entrou em parafuso e seu governo sofre um colapso total.

O Brasil está completamente imobilizado e torcendo por sua renúncia. Simples assim…

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