'Meu filho era meu melhor amigo' diz mãe de jovem morto durante operação da PM na Maré

Um rapaz apegado à família e que, por vezes, fazia dupla jornada de trabalho. Assim é, descrito por parentes, Renan de Souza Lemos, de 24 anos, morto durante uma operação da Polícia Militar, nesta sexta-feira, na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Segundo sua família, o rapaz ouviu tiros e ao subir na laje para tentar verificar o que estava acontecendo foi atingido por um disparo. Levado por familiares em um carrinho de mão até às margens da Avenida Brasil, Renan não aguentou esperar a chegada do pai , o motorista Rivaldo Coelho, de 62, que saiu às pressas do trabalho, em Bonsucesso, mesmo bairro onde o jovem foi baleado, para tentar socorrer o filho.

Pai de um filho de sete meses e de uma menina de 6 anos, Renan morreu no local. De acordo com Rivaldo Coelho, seu filho trabalhava dirigindo uma Spin, fazendo entregas para a mãe, vendedora de perfumes e roupas. Além disso, o jovem também trabalhava como motorista de aplicativo.

— Eu tinha um apelo muito grande ao Renan. Comprei a Spin que ele usava para fazer entregas para a mãe , e quando podia, ele ainda trabalhava como motorista de aplicativo. Era um guerreiro. Quando soube do que havia acontecido, eu saí do trabalho, do outro lado da Avenida Brasil, com meu carro para socorrer meu filho. Infelizmente não deu tempo. Já encontrei ele morto — disse emocionado, o motorista de turismo Rivaldo Coelho.

Renan de Souza Lemos estava na casa de uma namorada, na Rua da Alegria, quando um forte tiroteio teve início. Ele ainda ligou para mãe, também moradora da comunidade, para avisar que iria demorar um pouco a voltar para casa. Pouco depois foi atingido por um disparo.

— Meu filho era meu melhor amigo. Perdi a melhor pessoa do mundo — disse, chorando, Cristiane Lemos, de 47, mãe da vítima.

Renan havia comprado uma casa na comunidade, e segundo sua família , estava reformado o local aos poucos. Quando mais jovem, ele morou com os pais na Ilha do Governador.

— Eu queria que ele voltasse para Ilha, mas infelizmente não deu tempo disso ocorrer —disse Rivaldo Coelho.

O jovem foi um dos sete mortos em operações que ocorreram, nesta sexta-feira, em 13 comunidades no Rio. Outras cinco pessoas foram mortas em um confronto envolvendo policiais militares e traficantes no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, também na Zona Norte. Outras cinco, entre elas dois PMs, também ficaram feridos nos confrontos.